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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

O argumento que vou apresentar de seguida já tive de defender anteriormente, era eu estudante universitária.

Havia um prazo para um trabalho importante e que valia uma boa parte da nota de uma disciplina, que não era comum a todos os estudantes (depois dos anos comuns tínhamos vários ramos da licenciatura e as disciplinas eram optativas de entre um variado leque). Calha que foi agendado um evento social de relevo para o dia antes do fim do prazo para entregar o trabalho. Os alunos daquela disciplina dividiram-se entre os que abdicaram do evento social para se dedicarem a ultimar o trabalho lectivo, e os que decidiram não abdicar do evento social e confiar que após muito choradinho o professor iria estender o prazo de entrega do trabalho. O professor não estendeu o prazo. Eu e vários outros colegas entregaram o melhor trabalho possível dentro do prazo. Os colegas que foram ao evento social entregaram o trabalho após o prazo. O professor aceitou os trabalhos de todos e classificou-os com os mesmos critérios. Foi justo?
Não. Esta foi, é e será sempre a minha posição, que discuti exaustivamente com o professor na defesa do trabalho em questão. O professor, por outro lado, defendeu que não beneficiou ninguém, apenas não penalizou os colegas que entregaram o trabalho fora de prazo. Ora, sob este entendimento, é claro e objectivamente comprovado que alguns alunos tiveram efectivamente mais tempo para concluir o importante trabalho, de resto em igualdade de circunstâncias, já que não existiu penalização pelo atraso.
A meu ver, o não prejuízo dos infractores traduz-se num prejuízo dos cumpridores, que completaram o trabalho num período mais curto sem qualquer benefício na avaliação. Para mim isto é bastante claro e nem seria passível de discussão, de tão óbvio. O professor, que era quem tinha o poder de decisão no caso, defendeu que estava a ser justo para todos, e manteve a sua decisão.


No caso da tolerância de ponto do dia 12 de Maio passa-se exactamente a mesma coisa.

Nem falando no absurdo que é um estado (supostamente) laico dar tolerância de ponto a todos os funcionários públicos porque o Papa vem dar um pulinho a Fátima (onde uns chavalos inventaram uma peta que parece que esteve na causa de uma outra alucinação colectiva a outros tolinhos, mas isso são outros quinhentos), na prática temos os funcionários públicos a terem uma folga adicional não planeada, e o resto da população a ter de arranjar solução para lidar com este "imprevisto": crianças sem escola, consultas, exames, julgamentos e demais afazeres em organismos públicos adiados.

Em suma, um benefício atribuído a uma parte da população e que prejudica directamente o resto da população torna-se numa injustiça. Se a ideia era manifestar o respeito por uma maioria católica numa data aparentemente significativa, faça-se ao 13 de Maio o que se faz a 15 de Agosto (e tantos outros) - feriado nacional. Os motivos continuariam a ser deveras questionáveis, mas pelo menos o feriado seria para todos

Especialmente para uma amiga querida que há tempos me disse isto mesmo, com todas as letras: "Eu não acredito na Evolução." Pensei que ela estava a gozar e rindo, respondi "Então, és criacionista?", e ela confirmou. Sim, criacionista. Ainda existe disto. E não estamos a falar de pacóvios americanos que aprendem criacionismo na escola, estamos a falar de uma rapariga nova, instruída, culta, moderna, e que nem sequer é católica (cristã sim)... Depois dos meus argumentos científicos limitou-se a defender-se com "eu nunca estudei essas coisas, por isso não sei". O queixo descaiu-me 2 cm e ainda não recuperei.

Eu, comunista, ateia, tenho fé no Papa Francisco.

 

Agrada-me que seja politizado (o que alguns tentam que soe a acusação, eu diria que é um elogio). E para o lado certo.

Que seja humanista. E crítico da instituição a que preside. Progressista q.b.

Está muuuuuito longe da perfeição, mas para o mais influente líder mundial, homem branco e católico, não está mal de todo.

 

Que merda de sociedade nojenta, preconceituosa, racista, xenófoba, iludida, alienada, equivocada, é esta, em que ler o Corão é considerado perigoso, em que é possível e aceite com naturalidade que se faça uma queixa por suspeitas de alguém estar pacificamente sentado a ler um livro electrónico, e que um cidadão seja detido, inquirido e tratado como um criminoso porque, repito, estava a ler um livro?!

Que nojo é este em que nos estamos a tornar? Ainda há uns meses eram todos Charlies, os mesmos Charlies que apontam e olham desconfiados para pessoas com outra cor de pele, ou com um traje diferente!

Não se conhece e não se compreende o que está escrito num livro e até se assume que é um outro livro - e se fosse? Por favor, alguém que me explique porque é que ler o Corão constitui algum tipo de ameaça! 

Eu li o Corão quando era adolescente, da mesma forma que li a Bíblia e os Versículos Satânicos do Rushdie, e o Evangelho Segundo Jesus Cristo do Saramago e O Capital de Marx, e muitas dezenas de outros, até policiais manhosos e os livros condensados das Selecções. E Torga, e Urbano Tavares Rodrigues, e Sartre, e Jorge Amado... E se me apetecer levar o Corão na próxima viagem de avião, isso é motivo para me mandarem prender e interrogar?

Nestas alturas, e digo isto com a maior sinceridade, fico grata por não ter filhos. Não estou preparada para trazer alguém a este mundo a quem tivesse de explicar estas idiossincrasias, nem a Humanidade merece ter grande futuro enquanto isto for tudo aceite como se não se passasse nada de absolutamente aberrante e perverso. É que este tipo de segregação também é terrorismo. Livros considerados proibidos e perigosos e subversivos eram outra coisa aqui há umas décadas. Caminhamos para lá novamente?

 

Não pretendo ofender ou ridicularizar as pessoas que têm uma qualquer fé e acreditam nas fantasias mais rebuscadas em algo "superior", ou Deus, ou lá como quiserem chamar. Eu não acredito, de todo, mas isso sou eu e não tento impôr a minha ausência absoluta de Fé aos outros (apesar de considerar que as religiões apadrinham mais mal do que bem no mundo). De forma simétrica, acho redutor e ofensivo que um jornal supostamente independente publique uns "artigos jornalísticos" apregoando como factos inquestionáveis eventos que carecem de qualquer evidência. 

Vejamos, se eu pegar no jornaleco editado pela IURD (ou visitar o site), não será de espantar que lá pelo meio se diga que a oração curou uma doença qualquer a alguém ou que alguém ressuscitou. Mas se vou ler um jornal diário como o i não me parece muito aceitável que se afirme que o número de casos de possessão demoníaca tem vindo a aumentar, sem indicação sequer da fonte dessa informação. Foi o INE que o disse? Era uma pergunta constante do último Censo? Wtf?!

Não é suposto o jornalismo tentar fazer um relato dos acontecimentos reais e ajudar no esclarecimento da verdade? Em caso afirmativo, estas peças do jornal i não estão sequer perto do que é jornalismo.

Se calhar, publicar um especial conjunto de reportagens com explicação de como fazer um exorcismo, perguntas e respostas que não se sabe bem quem deu (o padre Sousa Lara, que explica como foi o seu percurso de betinho da linha que queria ser santo e pai de dez a padre exorcista?), mas são apresentadas de forma categórica, sem citações ou espaço para alegações e histórias de possessões demoníacas está para o jornalismo como o "Inferno" está para o "Céu" - bué, bué longe!

Será que se eu for dizer por aí que sou vampira e que nas noites de lua cheia o homem se transforma em lobisomem o jornal i também vai fazer reportagens sobre nós?

 

E depois, além da seriedade dos temas escolhidos, ainda temos as pérolas ortográficas...

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O espaçamento também está caro, o melhor é poupar...

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 (A sério, já não há revisores de texto nos meios de comunicação social?)