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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

Isto é o que acontece quando se acredita na música, na poesia, na arte.
Isto é o que acontece quando se põe de parte o complexo de inferioridade que nos leva a imitar os demais, com a mesma fórmula já batida e enorme disparidade de meios.
Isto é o que acontece quando se tem orgulho no que se é, sem tentar ser outra coisa qualquer. É também o que acontece quando se vai a um festival de canções com uma canção, não com apenas uma imagem, ou com apenas uma exibição vocal, ou apenas efeitos especiais ou apenas uma boa voz com uma canção colada com cuspo.

E isto é também o que acontece quando se assume um discurso real, coerente, genuíno, sem embaraço ou pudor de dizer o que deve ser dito.
Isto é apenas o que temos de melhor.

"Music is not fireworks, music is feeling!"

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Todo ele coração. Todo ele música.

Um animal musical.

Extraordinário. Fora de série!

Salvador Sobral é um portento. É muito mais que a lindíssima "Amar pelos Dois" que venceu o Festival Eurovisão da Canção 2017. Escutem aquela que é a minha canção favorita do primeiro álbum do Salvador, Excuse Me - Change.

 

Obrigada, Salvadorzinho. Além de se ter agravado a vontade que tenho de te dar beijinhos e fazer festinhas, tenho agora dois novos sonhos na vida:

1 - Ouvir-te no palco 1º de Maio, ou mesmo no palco 25 de Abril, na Festa do Avante.

2 - Ouvir-te em dueto com o Jorge Palma.

Seria a felicidade suprema, o êxtase total.

Ah, e ainda me fizeste ganhar uma aposta, um almoço num sítio muito catita - se quiseres podes vir também, não sou eu que pago!

É verdade. Continuo a odiar a Fertagus. Às normais horas de ponta a coisa já é difícil, irritante, incómoda, cheia de gente, muito cheia de gente, com pouco espaço, cara. Mas pensava (pensava mesmo, sou tão ingénua!) que antes e depois a coisa marchava com mais facilidade. Mas consegue ser pior.

Chegar à estação antes das 7, com alguma pressa. Não ter bilhete. A bilheteira está fechada. Vou às máquinas, no outro extremo da estação. Mete cartão, escolhe bilhete, escolhe trajecto, escolhe quantidade, escolhe com NIF, o teclado está perro, repete o NIF. Paga. Não tenho moedas, não faz mal, a máquina aceita notas de 5, 10 e 20. Tenho uma nota de 20. Afinal a máquina não gosta das notas de 20, só tem troco se for nota de 10. Não tenho mais nenhuma nota, experimento a máquina do lado. Mete cartão, escolhe bilhete, escolhe trajecto, escolhe quantidade, escolhe com NIF, o teclado está perro, repete o NIF. Paga. A máquina também não gosta da nota de 20. A pessoa atrás de mim na fila confirma que as máquinas nunca deram para as notas de 20, não se percebe porque é que têm indicação das notas de 20 como aceites... Volta para trás, vai ao Multibanco, espera na fila, procura cartão, continua a esperar. Mete cartão, mete pin, escolhe operação, escolhe levantamento, escolhe valor: 10€. Volta para trás, mete cartão na máquina da Fertagus, escolhe bilhete, escolhe trajecto, escolhe quantidade, escolhe com NIF, o teclado está perro, repete o NIF. Paga com os 10 euros, sai o jackpot, moedas por todo o lado, agarra o talão, agarra as moedas, agarra o cartão. Comboio quase a chegar. Cartão dá erro de leitura. Outra vez. Parece que a culpa é da bagagem que está em frente ao sensor. Passa finalmente. Desce as escadas, o comboio chegou, já vem cheio, porra. Entra no comboio, encontra um lugar, tira a mochila, mete mala ao colo, mochila de lado. Encolhe joelhos para outra pessoa passar. Joelhos da frente a roçar nos meus joelhos. Pessoas por todo o lado, nos corredores, nos degraus. Entram mais e mais pessoas na estação seguinte e a minha mente divaga sobre a dinâmica de fluidos e a arrumação de passageiros nas carruagens. Chego ao destino. O intervalo entre o comboio e a plataforma é enorme, não sei como não há gente a esbardalhar-se ali a toda a hora. Escadas rolantes paradas. Odeio a Fertagus!

No planeta em que eu vivo, milhões de mulheres (cerca de seis mil por dia!) são mutiladas enquanto adolescentes, cortam-lhes o clitóris, com uma faca, ou uma navalha, ou um pedaço de vidro, em nome da tradição, que em pelo menos 28 países pode ser sinónimo de castigo pelo azar de se nascer fêmea.

No planeta em que eu vivo, há raparigas que são ameaçadas, intimidadas e impedidas pela força, com tiros, se querem ir à escola, porque a educação é um direito que lhes é vedado.

No planeta em que eu vivo, são as mulheres que andam dezenas de quilómetros todos os dias para trazerem água e lenha para as suas aldeias (em África, 90% deste esforço é feito por mulheres, e a tarefa pode demorar até 8 horas diárias).

No planeta em que eu vivo, há crianças, meninas, que são vendidas aos seus futuros maridos por tostões, enquanto o horripilante mercado de tráfico humano movimenta pelo menos 800.000 mulheres e crianças por fronteiras internacionais para servirem enquanto escravas sexuais.

Neste planeta, o poder está, maioritariamente, nas mãos dos homens, tal como o acesso ao trabalho, à riqueza, aos direitos, à saúde, à educação. Em Portugal, para não variar, a situação é bem pior do que a média europeia.

No planeta em que eu vivo, é tristemente comum, no século XXI, milhares de mulheres nos ditos países desenvolvidos morrerem devido a maus tratos às mãos dos seus maridos e companheiros. Só em Portugal, em 2015, foram trinta e cinco, deixando órfãs quarenta e seis crianças. Neste mesmo planeta, muitas mulheres têm medo, têm vergonha, de fazer queixa e de pedir ajuda em casos de violência doméstica e de violação. O que se torna, em certa medida, compreensível, dados os casos de impunidade descarada, como aquele em que o violador de uma mulher grávida, sua paciente, sai impune porque não ficou provado que tivesse usado "demasiada violência"...

Pois, neste planeta onde eu tenho de viver, as violações são assunto corriqueiro e impune em algumas partes do mundo; perdão, em todo o mundo.

 

Eu vivo num planeta onde os empregadores, nomeadamente os meus, acham que no dia da mulher fica bem oferecer uma flor a cada funcionária, mas onde as condições de trabalho são distintas, tal como os salários e o acesso a certos cargos, para pessoas de um e de outro género. Na Europa, os salários médios das mulheres são 16% mais baixos do que os dos homens, e a diferença foi agravada com a crise económica. Aparentemente, vamos precisar de, pelo menos, mais 118 anos para as desigualdades económicas entre géneros se dissiparem. Legal ou ilegalmente, muitas mulheres perdem o emprego ou oportunidades na carreira pelo simples facto de engravidarem.

 



Infelizmente, este é o meu planeta. Por isso, às pessoas que dizem que o Dia da Mulher é uma tolice, que não faz sentido, que é um dia feito para as floristas venderem rosas e que "não há igualdade porque não há dia do homem", eu pergunto em que planeta vivem. É que gostava muito, mesmo muito, de viver num planeta em que não fizesse falta haver um dia da mulher.

Portugal tem um dos novos hotspots da Europa, e muito graças às companhias aéreas lowcost, que tornaram o que era, há uns anos, uma viagem de meia semana por 500€ ou mais, numa escapadinha acessível a quase todas as bolsas. Viagens de ida e volta por 50€ ou menos (ou mais, tudo depende das datas e da antecedência com que se faz a reserva) é um factor essencial que faz todos os portugueses (ou próximo disso) conhecerem ou revisitarem aquele que é, provavelmente, o arquipélago mais belo do mundo.

Como só posso falar do que conheço, e só conheço São Miguel (por enquanto), cá ficam as minhas dicas para quem ainda não conhece, e para os que hão-de regressar.

 

Como ir:
- Easy jet
- Ryanair
- SATA
- TAP

Como visitar:
Carro alugado (essencial para chegar a todo o lado e não perder pitada do tanto que esta ilha tem para oferecer)
- A pé pelo centro
- Trilhos nas serras


O que visitar:
Lagoa das sete cidades

Lagoa do Fogo

- Lagoa das Furnas

- Ponta Delgada, centro e não só (ver mais aqui)

- Mercado da Graça, Ponta Delgada

Teatro Micaelense

Furnas

Poça da D. Beija (3€, todos os dias das 07:00 às 23:00 - saída das piscinas às 22h45)

Ermida de Nossa Senhora da Paz

- Vila Franca do Campo

- Povoação

Fábrica de Chá Gorreana (visita gratuita, com oferta de um chá no final)

Mosteiros

Parque Terra Nostra (5€)

- Lagoa

- Santana

- Rabo de Peixe e as obras de Vhils em homenagem aos seus habitantes

- Ribeira Grande

Nordeste

Estufas de ananases

O que fazer:

- Observação de cetáceos: várias companhias actuam nesta área, com embarcações que saem de Ponta Delgada. A actividade está sempre dependente das condições meteorológicas, por isso convém informar-se antecipadamente sobre os dias de saída e conjugar com os seus planos. Não é uma actividade barata, mas é inesquecível.

- Trilhos na serra

- Ir à praia (eu não sou fã de praia, mas recomendo a Praia do Pópulo, bandeira azul)

 

Onde comer:
Associação Agrícola de São Miguel, Santana (o queijo com pimenta da terra ou doce de ananás para entrada e depois, a extraordinária carne dos Açores)

Cais 20, Ponta Delgada (o pão de alho, os cubos de tamboril, peixe, petiscos, as gambas, as lapas... o restaurante também fornece transporte grátis de e para os hotéis, e tem um bar)

- Mariserra, Ponta Delgada

- Borda d'água, Lagoa (lapas, peixe assado fresquíssimo e o cheirinho a maresia à porta)

- O Jaime, Vila Franca do Campo (matança com todos, peixe assado)

Gáscidla, Mosteiros (polvo, bacalhau, lapas, e a única opção em Mosteiros)


Onde ficar:

Hotel do Colégio: no centro de Ponta Delgada, pequeno e perfeito para quem quer explorar a cidade a pé, com um serviço de qualidade.

Quinta de Santana, do outro lado da estrada em relação à Associação Agrícola, económico, tem apartamentos bem equipados (alguns mais modernos e alguns mais tradicionais), de 2 pisos, com jardins muito bem cuidados, uma piscina simpática, muitos gatos!, a opção ideal para quem prefere self-catering de algumas refeições (nomeadamente o pequeno-almoço, que não está incluído na tarifa normal).

Hotel Vip Executive: longe do centro, mas tem a vantagem de, se estiver com um carro alugado, ter estacionamento. É um hotel grande, talvez grande demais, normal para o standard das 4 estrelas, com um bom pequeno-almoço.

 

Compras:

- Queijo da Ilha (no Rei dos Queijos, à entrada do mercado da Graça, ou supermercados - essencialmente aos mesmos preços que encontra no continente)

- Queijadas de Vila Franca (na fábrica, em Vila Franca do Campo, ou nos supermercados)

Queijadas da Graciosa

Bolo lêvedo (receita no link)

- Doce de Ananás (nos supermercados Sol Mar, entre outros), perfeito para conjugar com queijo fresco ou queijo da ilha

Licor de Maracujá do Ezequiel ou Mulher de Capote (nos supermercados ou, se viajar sem bagagem de porão, no aeroporto, em que os preços não são muito diferentes do resto da ilha)

- Chá Gorreana (na fábrica ou nos supermercados, na variedade que preferir)

 

 Boas viagens!

O grande chefão lá do sítio que me paga o ordenado acha (e di-lo publicamente, com todas as letras e zero pudores) que a percentagem elevada (elevadíssima, mesmo, a roçar os 3 dígitos percentuais) de pessoas que vai trabalhar quando está doente é um sinal positivo. E também acha que isto é apenas uma manifestação da dedicação dos trabalhadores à empresa. Nem sequer se questiona sobre a relação entre estes e os valores homólogos dos outros países, os salários, o custo de vida, a produtividade, as condições de trabalho... Digam lá que não queriam ter um destes génios optimistas ao leme da vossa empresa!

- Marcelo, ganhou o gajo que estava em campanha há 15 anos e com o apoio dos Merdia quase todos.

- Nóvoa, perdeu o candidato apoiado pelo Centro-Esquerda do PS e a Máquina partidária do Livre (tão novos e já com uma máquina partidária...)

- Marisa, as "marias" do Bloco levam tudo a frente até limpam os recordes do Louçã e ainda bem.

- Maria de Belém, foi "subvencida" a candidata aPoiAda pela Direita do PS ( Francisco Assis e Vítor Melícias incluídos)

- Edgar Silva, parece que foi o cordeiro oferecido por alguém, mais conhecido na Madeira não merecia tão pouco...

- Tino de Rans, um dos mais conhecido dos desconhecidos fez um bom resultado.

- Paulo de Morais, K7 perito em Corrupção mas só isso não chega.

- Henrique Neto, o Candidato Vidente só não conseguiu visionar a sua estrondosa derrota.

- Jorge Sequeira, o Gustavo Santos destas presidenciais, muito pouco para aquele ar alucinado

- Cândido Ferreira, quem?

 

Adeus Cavaco!!

Eu era (e sou) de esquerda (esquerda a sério), e a favor de uma PGA no acesso ao ensino superior. Não nos moldes da famigerada PGA tal como existia, limitada a questões de Português e História, mas uma PGA com questões essenciais de Português, Matemática, Ciências da Vida, História e actualidade. Considerei uma PGA útil e necessária enquanto aluna do Ensino Secundário, enquanto aluna do ensino superior e enquanto professora do ensino superior. Não acho (sem grandes certezas, porque estou distante da realidade do ensino básico) que os exames nacionais do 4º ano sejam úteis e muito menos necessários, mas acho que a avaliação é necessária e tem de ser encarada com toda a naturalidade.

 

A propóstito deste post do sempre acutilante País do Burro.

Pequenino no pior sentido, e mesquinho. E, infelizmente, racista, de um racismo passivo tolerado e aceite e legitimado pela comunicação social.

Como é possível este título do Público? A notícia é a senhora ser negra?! Ou melhor, ser uma senhora e ainda por cima negra?!

Permitam-me que considere ofensivo e primariamente nojento. Alguém lá no Público devia olhar para o relógio e ver que estamos no século XXI, e ver além do daltonismo tendencioso e ignóbil.

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A política do medo instalou-se por todo o lado. A comunicação social tornou-se ainda mais perversa e vale tudo para vender, vale o título gerador de conflito e de pânico, vale adiantar factos não confirmados, vale desinformar em vez do que devia ser a sua missão primeira, o oposto disso.
Vale a mentira.

A mentira é sempre a pior política, a meu ver. A nível individual, seja nas relações pessoais ou laborais, sigo desde sempre a minha regra da verdade acima de tudo. Traz dissabores, sim. É difícil de gerir, por vezes. Tem de se usar de diplomacia extra para dizer algumas verdades mais penosas (de dizer ou de ouvir). Mas vale a pena, porque não há nada que magoe mais do que a mentira. E é uma ofensa, seja por colocar aquele a quem é dita a mentira num patamar intelectual ou emocional inferior, no mínimo fraco. Ou acham que nunca irás descobrir a mentira, ou que não és capaz de lidar bem com a verdade.

A mentira é, ponto assente e repetidamente comprovado, o modo de viver das classes políticas mais fortes, porque é através dela que chegam ao poder. A mentira vale os votos dos mais distraídos, crédulos, ignorantes, interesseiros e cínicos. O interesse comum e público é cilindrado em prol de alguns interesses pessoais e materiais. É por esse motivo que a educação e a ciência são inimigos do despotismo encapotado, esse sim temível e mortífero e devastador.

Como é que nos habituámos a viver assim, a ser (des)governados assim, e sem muito fazer para trazer a verdade ao de cima?! Vivemos realmente num mundo fabricado, numa matriz para consumo imediato e superficial.

Até quando iremos tolerar esta deriva no nevoeiro?

O estado de emergência que Hollande quer prolongar por 3 meses e as imagens de uma multidão em fuga quando se ouviram sons confundidos com tiros (afinal foi o metro a passar normalmente uma lâmpada de um candeeiro público a estourar) na Praça da República provam bem que o clima vivido em Paris é ainda de medo e pânico. Compreensivelmente. E é precisamente esse o objectivo dos terroristas. Vamos ceder, Europa?

Para mim, o ideal seria haver condições de segurança para recuperar o Bataclan tão depressa quanto possível e fazer uma enorme festa a celebrar a Libertade, mostrando que não conseguem intimidar-nos! Infelizmente, não creio que se consiga esquecer o medo tão cedo.

Depois, o medo tem um outro lado, muito pernicioso e que, a continuar a escalar, há-de ser o fim da Europa e o início (oficial) da III Guerra Mundial.

Não vão faltar aproveitamentos políticos por parte da extrema-direita, e por parte dos ignorantes que acham que os refugiados da Síria são menos humanos e menos merecedores de viver em paz com as suas famílias do que os europeus. A distinção entre o "eles" e o "nós". Os "nossos" primeiro e blablabla (o chorrilho nojento de barbaridades que todos já conhecemos). (Curioso que o primeiro terrorista identificado até é luso-descendente e outros são belgas.)

Podia parafrasear o Diogo Faro (Sensivelmente Idiota). E, além disso, citar, ipsis verbis, o meu amigo Bruno Carvalho:

"Só para lembrar que é dos responsáveis pelo banho de sangue em Paris que fogem os refugiados que abandonam a Síria, o Curdistão, o Iraque e a Líbia. Hoje, foi em Paris. Ontem, foi em Beirute, onde mais de 40 muçulmanos foram assassinados pelo terrorismo do Estado Islâmico. Em Beirute, morreram árabes. Em Paris, morreram europeus. Todos vítimas dos mesmos carrascos. Não se esqueçam disso quando, amanhã, começar a campanha xenófoba nas televisões, rádios e jornais."

 

 

O que me choca mesmo é que haja pessoas que desconhecem os processos democráticos a ponto de genuinamente acharem que o que ser passou dia 10 na Assembleia é uma "aberração", "palhaçada" e outros mimos que ouvi e li por aí. Mal informadas, seguramente, mas diligentes o suficiente para propagarem as suas verdades de bolso como se fossem a voz da razão.

Não é demais repetir até à exaustão que as eleições legislativas elegem representantes do povo no Parlamento, ou seja, deputados. Não determinam as cores do governo e muito menos que o que quer que seja sujeito a votação na AR seja aprovado, nomeadamente o presidente da Assembleia, os orçamentos, os programas de governo e quaisquer iniciativas legislativas. Chama-se democracia.

 

Também me chateiam os pessimistas que não acreditam que isto vá resultar. Até podem estar certos, mas não ouviram dizer que pelo sonho é que vamos? Vamos esperar para ver antes de ditar sentenças de morte, sim? Eu sei que a mudança assusta muita gente, até alguns dos que votaram à esquerda, mas quando as coisas não estão bem (e só os patrões podem achar que as coisas estavam bem sob a desgovernação ultra-neo-liberal da coligação, não me lixem!) não vai melhorar sem essa mudança.

Chamem-me idealista e utópica à vontade, mas mesmo com todas as reservas em relação ao PS e ao António Costa, o que se passou ontem fica para a história, e pode bem ser o início de uma união à esquerda que eu anseio há décadas, assim o espero.

E sim, comovi-me quando li "o governo caiu", quando abracei o meu amor, quando cheguei ao Rossio e a cidade me cheirou a esperança nova, e ainda agora enquanto escrevo estas linhas. Comovi-me porque já não me lembrava de ter orgulho neste país e pela primeira vez em muitos, muitos anos, tenho alguma esperança da vida dos portugueses melhorar um pouco, de não ser obrigada a emigrar para criar uma família em condições.

Mesmo que tudo corra mal, agora sabemos que é possível. Já não é só um desejo, uma conjectura, uma hipótese etérea. É real.

Momento histórico na nossa jovem e imatura democracia, mas convenhamos que nada mais do que um processo simples e comum nas democracias mais sólidas. Não estou a rebentar de felicidade como vejo alguns amigos do Bloco, ansiosos e talvez ingénuos. O próximo governo (e contando com alguma inteligência de Cavaco, o que não é garantido, bem pelo contrário - não me espantaria nada que ainda tentar forçar um governo de iniciativa presidencial, com elenco do centrão no seu pior) não será de esquerda. Lamento, genuinamente mas, a ser, será apenas um governo PS com controle da esquerda. Esquerda essa que esteve realmente bem em todo o processo, engolindo alguns sapos em prol da libertação do país do neoliberalismo radical. Foram "apenas" algumas arestas do programa PS que a esquerda conseguiu alterar, mas que arestas! Muito bem, fico realmente orgulhosa e ainda mais convicta de que o caminho é uma junção de forças entre BE, PCP, Os Verdes, o Livre, o Mas e, se o PCTP-MRPP voltar a ter gente capaz e racional na sua liderança, também.

Adiante, que esse é um post que tenho em rascunho desde antes da campanha eleitoral e falaremos disso mais tarde. Do que tenho pena é que a esquerda não se tenha querido comprometer e realmente envolver na governação. Compreendo, perfeitamente até, que seja um cinto de segurança, não para proteger votos como tenho lido por aí, mas porque o comportamento errático dos anteriores governos PS não nos deixaram propriamente descansados. É uma desconfiança legítima, infelizmente, mas não basta ter socialismo no nome como garante de políticas socialistas. Seria um risco enorme, é facto, mas o meu idealismo ainda acredita que seria mais proveitoso para o país se estivesse nas mãos de pessoas competentes de esquerda a possibilidade de realmente reformar profundamente áreas críticas, e quanto mais cedo melhor. Enfim, resta aguardar com confiança que seja feito o melhor que se conseguir. E regozijemos, o pior (des)governo de sempre em Portugal vai, finalmente, cair. De quatro.

Para quem tem de sair de casa cedo e chega a casa tarde, o horário de Inverno é uma seca. Significa sair de noite e voltar a entrar de noite. O dia parece render ainda menos, parece que só vamos a casa dormir e "à pressa".

Na verdade, a hora presente ou de Inverno é a que coincide com a hora solar, no Verão é que adiantamos os relógios para maximizar a luz solar (daylight saving time). Ah, e quem teve esta ideia NÃO foi Benjamin Franklin, mas sim um entomologista neo-zelandês, George Hudson, com o intuito de maximizar a utilização da luz solar e também poupar energia.

Já agora, sabem qual o melhor sítio para certar a hora de relógios e aparelhos electrónicos? É no Observatório Astronómico de Lisboa (podem seguir o link e olhar para o canto superior direito do écran).

Tenho-me divertido à brava com o bluff que o António Costa pôs toda a gente a jogar. Divirto-me, sem ansiedades de maior, porque acredito que não passa disso mesmo, bluff, com o único propósito de:

a) se correr demasiado bem (era preciso que o Cavaco deixasse de ser quem é, ou nascesse outra vez) chegar a ser primeiro-ministro - não acredito por um minuto;

b) ficar legitimado para o que vem a seguir e tentar não perder o que falta do eleitorado. [Infelizmente, algures pelo caminho ganhei este cinismo que me impede de sonhar a cores com o (tão assustador para alguns) "governo de esquerda". Não vai acontecer.]

E mesmo que o PS e os partidos da verdadeira esquerda (porque não basta ter o socialismo no nome) chegassem a um entendimento, seria ainda um governo centrista - na melhor das hipóteses, e porque puxado por duas rédeas para a esquerda. Convenhamos, sempre que o PS tem sido governo, em matérias sociais como o trabalho, saúde e educação, teve posturas tão ou mais à direita que os governos PSD ou PSD+CDS.

A CDU esteve à altura do momento e teve uma atitude exemplar, quanto ao zelo pelos melhores interesses do país e quanto à inteligência necessária para lidar com esta questão. Está disponível para deixar passar uma proposta de orçamento que tenha em conta os pontos fulcrais para as protecção dos direitos dos trabalhadores e não exige qualquer cargo nos ministérios (novamente, bem, porque nem a CDU quer "tacho", nem seria coerente com o discurso em relação às propostas mais neoliberais do PS e ainda deixa o espaço necessário à oposição que fará falta em todos os pontos sem o "consenso" da esquerda). Ou seja, pagou para ver e subiu a parada.

O Bloco, talvez por ainda estar a viver uma espécie de euforia pós eleições, esperou (por um lado, para ver a reacção de comunistas e verdes, por outro, para poder ter a última palavra) e surfou a onda. Catarina Martins colocou toda a sua teatralidade nas primeiras declarações após a primeira reunião com o PS e exagerou ao dizer que o governo de Passos e Portas havia acabado. As precipitações podem ter aquele efeito do discurso do Rui Tavares pouco depois das 20:00 de dia 4, que em pouco tempo de virou contra ele, transformando-se num - como se chama na minha terra - grande melão.

Costa está a fazer-se de difícil com a coligação (e a conseguir exactamente o que quer), Passos já começou o discurso choramingão do costume: "aquele menino não quer brincar comigo".

A minha aposta no que vai acontecer: como Costa tem a bola, mas quem tem o campo e as balizas são os meninos queques (PàF), lá chegarão, com enorme sacrifício de parte a parte, a um acordo de amigos. O jogo será arbitrado pela esquerda séria e a sério, espera-se um festival de cartões e até uma ou outra expulsão. As claques vão andar exaltadas e são expectáveis distúrbios de alguma violência verbal (mas não mais do que isso). Na 2ª parte (logo após as eleições presidenciais de Janeiro), é possível que as tendências de jogo mudem...

E nós a gostar de ver...