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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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O original é do incontornável José Mário Branco. A interpretação desta versão é do fantástico Camané e dos geniais Dead Combo.

E o poema é tão perfeito...

 

Inquietação

José Mário Branco

 

A contas com o bem que tu me fazes 
A contas com o mal por que passei 
Com tantas guerras que travei 
Já não sei fazer as pazes 

São flores aos milhões entre ruínas 
Meu peito feito campo de batalha 
Cada alvorada que me ensinas 
Oiro em pó que o vento espalha 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Ensinas-me fazer tantas perguntas 
Na volta das respostas que eu trazia 
Quantas promessas eu faria 
Se as cumprisse todas juntas 

Não largues esta mão no torvelinho 
Pois falta sempre pouco para chegar 
Eu não meti o barco ao mar 
Pra ficar pelo caminho 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Mas sei 
É que não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer 
Qualquer coisa que eu devia resolver 
Porquê, não sei 
Mas sei 
Que essa coisa é que é linda

Isto é o que acontece quando se acredita na música, na poesia, na arte.
Isto é o que acontece quando se põe de parte o complexo de inferioridade que nos leva a imitar os demais, com a mesma fórmula já batida e enorme disparidade de meios.
Isto é o que acontece quando se tem orgulho no que se é, sem tentar ser outra coisa qualquer. É também o que acontece quando se vai a um festival de canções com uma canção, não com apenas uma imagem, ou com apenas uma exibição vocal, ou apenas efeitos especiais ou apenas uma boa voz com uma canção colada com cuspo.

E isto é também o que acontece quando se assume um discurso real, coerente, genuíno, sem embaraço ou pudor de dizer o que deve ser dito.
Isto é apenas o que temos de melhor.

"Music is not fireworks, music is feeling!"

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Todo ele coração. Todo ele música.

Um animal musical.

Extraordinário. Fora de série!

Salvador Sobral é um portento. É muito mais que a lindíssima "Amar pelos Dois" que venceu o Festival Eurovisão da Canção 2017. Escutem aquela que é a minha canção favorita do primeiro álbum do Salvador, Excuse Me - Change.

 

Obrigada, Salvadorzinho. Além de se ter agravado a vontade que tenho de te dar beijinhos e fazer festinhas, tenho agora dois novos sonhos na vida:

1 - Ouvir-te no palco 1º de Maio, ou mesmo no palco 25 de Abril, na Festa do Avante.

2 - Ouvir-te em dueto com o Jorge Palma.

Seria a felicidade suprema, o êxtase total.

Ah, e ainda me fizeste ganhar uma aposta, um almoço num sítio muito catita - se quiseres podes vir também, não sou eu que pago!

Não é demais repetir até à exaustão porque há muito mais para dizer, para viver, ouvir e sentir.

É oficial, estou apaixonada pelo Salvador Sobral. Pela voz, firme e cristalina, pela alma, pelo ritmo, pela simplicidade, pela espontaneidade, pela postura perante a exposição mediática, pela rejeição do aproveitamento da doença, pela brutal honestidade, pela graça do seu jeito despreocupado. Pela imensidão do talento concentrado num só ser humano. Arrebatador.

O Salvador é um dos grandes, dos maiores, dos fora de série. Todo ele música, todo ele sentimento. Tão bom que chega a ser dramático, doloroso até. De ir às lágrimas, literalmente. "Voz de anjo", dizem. Coração de anjo, digo eu. Frágil, sofrido, leve, e com a força de uma trovoada. Não deixa ninguém indiferente, ama-se ou odeia-se. Só com a voz e a capacidade de reinventar cada canção em cada actuação, simples ou gutural, nada nesta criatura é normal, medíocre ou morno. Tudo é beleza pura.

(Posso ser parcial, e sou, que quando gosto sou exagerada, tudo-ou-nada kind of love, mas para mim o Salvador está hoje ombro a ombro, mano a mano, com o Benjamin Clementine. Acima deles, de entre os vivos, só o Mestre Jorge Palma, único e inigualável e para sempre o melhor do mundo.)

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Não me canso de ouvir o disco (Excuse Me), não me canso de repetir o maravilhoso concerto a que tivémos o privilégio de assistir ao vivo, no Fórum Municipal do Seixal, e que passou na madrugada de sábado passado na RTP 1. Com a agravante de toda a febre da Eurovisão estar ao rubro, com uma enorme expectativa e mediatismo em torno da canção portuguesa, sorvo os vídeos dos ensaios, das entrevistas e das opiniões. E isto tem de ser dito com ênfase na real distância que me separa de todo o fenómeno eurovisivo. Eu, que já fui daquelas pessoas para quem o Festival da Canção era um "happening" musical todos os anos e que até já estive para compôr uma canção com uns amigos para participar (há 7 ou 8 anos), nos últimos tempos tenho ignorado o evento e, lamento constatar, apenas como consequência da pobre qualidade das canções escolhidas. Portanto, para deixar bem claro: que eu acorde com o Nada que esperar ou o Change a tocar dentro da cabeça é mérito integral do génio do Salvador Sobral; e é perturbador e é uma explosão de alegria.


Em dia de semifinal lá na Eurovisão, não deixa de ser curioso observar alguns fenómenos tão "tugas" - dos tugas que vivem de redes sociais, de CM TV, que se exaltam com as vitórias e derrotas futebolísticas, os que acham que Fátima é um lugar sagrado que serve para fazer e pagar promessas, e a volatilidade das suas marés. Como as pessoas passam de bestas a bestiais num sopro!...
Os que torceram o nariz à canção "Amar pelos dois", seja por não percebem um caracol de música ou por acharem que a canção não é "festivaleira" o suficiente, parece que agora andam ansiosos e em vias de mudar de opinião porque a canção que representa Portugal na Eurovisão está bem cotada e tudo parece indicar que vai ter um bom desempenho em termos de classificação. Passeando um pouco pelo YouTube é fácil de perceber a quantidade de gente, de todas as nacionalidades, arrebatada pela canção e pela interpretação. Não é para menos, a canção é realmente perfeita. Per-fei-ta.

Mas nada disso interessa, o resultado da Eurovisão pode ser o que for, que já ganhámos. O Salvador Sobral ganhou projecção internacional e nós todos ganhámos um portento musical. Um dos grandes, dos maiores, dos fora de série.

 Jóhann Jóhannsson – Odi et Amo, Jóhann Jóhannsson é um compositor Islandês de Música Clássica contemporânea, já compôs para teatro, cinema, tv e dança e ganhou um Globo de Ouro pelo filme The Theory of Everything.

Vamos ouvir falar dele porque está a preparar a Banda Sonora do Blade Runner 2049, a sequela do Blade Runner, portanto vai ter a díficil tarefa de "substituir" o Vangelis.

Antes de toda a celeuma do Festival da Canção já tinha lido sobre o "irmão da Luísa Sobral", opiniões de amigos ligados à música, sobretudo. Gosto da música da Luísa, o "meu som" de eleição pende bastante para o jazz vocal, mas não me deixa em êxtase e nunca me tinha dedicado a investigar o tal irmão. Por isso, também não tinha associado o Salvador ao puto betinho que tinha aparecido nos Ídolos uns anos antes e com quem eu embirrava, por ser betinho (como embirro com todos os betinhos).

Depois calhou ouvir a canção do Festival, "Amar pelos dois" e foi amor ao primeiro acorde. Lindo demais! A simplicidade poética da letra e da melodia já são perfeitas, mas a interpretação do Salvador Sobral tornou a canção realmente especial. E aí pus-me a pesquisar e a sorver a música do álbum "Excuse Me", que me tem acompanhado com muita frequência, a ponto do senhor gajo sugerir que fiquei um pouco obcecada. Só porque a cada música que descobria falava-lhe nela, citava-lhe porções dos poemas e repetia "isto é muita bom!"

Ontem fomos ao concerto do Salvador Sobral no Seixal e ficámos completamente arrebatados. Caramba, o puto é um animal musical! Todo ele é melodia. Ele sussurra ao microfone, ele uiva para dentro do piano, faz "air trumpet" de grande qualidade, contagia com uma espontaneidade muito castiça e... canta bem p'ra caraças! Os músicos que o acompanharam são top notchJúlio Resende no piano, André Rosinha no contrabaixo e Bruno Pedroso na bateria. O espectáculo foi brilhante, divertido e realmente excelente. Não acreditem em mim, o concerto vai passar na RTP1 na próxima quinta-feira, 05/05 no sábado, 06-05, por volta da meia-noite. 

 

 Neste MEME vão ser 2 músicas porque acho que faz sentido e porque se complementam bem ambas dos Mogwai banda escocesa de Glasgow e na 1ª música temos um excerto duma entrevista onde o Iggy Pop num estado alterado explica o que é o Punk Rock a um apresentador incrédulo e uma assistência espantada mas rapidamente rendida ao pedaço de sabedoria que o Iggy consegue exprimir.

Stars of the Lid - The Lonely People (Are Getting Lonelier), Música ambiente tantas vezes vilipendiada por ser intitulada de música de elevador ou música para adormecer esta é da boa e serve para adormecer (falo por experiência própria) um dos membros desta banda é também membro dos A Winged Victory for the Sullen que já teve aqui o seu Momento Ecléctico Musical Elitista.

 Pode parecer mas não esta rubrica não virou para uma toada mais erótica (não que houvesse nenhum mal nisso) mas desta vez faz sentido porque não é todos os dias que um álbum tão significativo como este faz 50 anos (e uma semana) que foi lançado.
Escolhi a Venus in Furs como podia ter escolhido qualquer uma das outras tão rock, drogas e sexo mas esta é a minha favorita.

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
É um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um altar aonde não estou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou é um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p’ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d’aquilo que sou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Não houve, em 33 anos, uma única vez em que tivesse ouvido esta canção belíssima e que não me arrepiasse. Haja poesia!

Música Clássica porque faz bem, nada de franzir o sobrolho caros ouvintes.

Está música surgiu-me aos ouvidos de 2 fontes completamente independentes, num programa francês sobre publicidade aqui (versão mais curta da música) e da banda sonora do Barry Lyndon um dos filmes menos conhecidos (injustamente) do Stanley Kubrick.