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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

A esquerda continua a insistir em marcar as suas diferenças em vez de se concentrar nas semelhanças, e assim continua a perder eleições e votos. Carvalho da Silva teria sido um candidato unificador, com provas dadas, conhecido por todos e independente (como fazia falta que fosse).

Eu continuo a estar num sítio muito específico, com a certeza da ideologia comunista, e com a frieza de discordar em vários pontos e a desfaçatez - dirão - de admirar alguns outros pontos nos "adversários".

Por muito que a comunicação social o deseje, BE e CDU não são adversários naturais. São distintos, sim, mas na maior parte dos aspectos importantes, são idênticos e complementares. E espantem-se, nenhum dos dois é dono da razão.
O BE defende, e bem, o fim das touradas, ao passo que a CDU até é a favor do regime de excepção em relação aos "touros de morte" em Barrancos, a bem duma "tradição" bárbara e cruel.
A CDU é, e bem, contra o Acordo Ortográfico que o Bloco defende (sendo que a Marisa Matias discorda do seu partido, o que lhe vale pontos adicionais no meu respeito e consideração).
Mas o Bloco defende a despenalização das drogas leves e a CDU nem sequer faz distinção entre drogas leves e pesadas.
Ambos advogam os direitos igualitários entre géneros, mas se no Bloco a liderança e as figuras fortes são (grandes!) mulheres, ė na bancada do PCP que a paridade é (muito) mais sentida.

A piadola de Jerónimo de Sousa não tinha Marisa Matias como alvo, estou quase certa (pareceu-me que os alvos seriam os populistas Marcelo e Vitorino). Tenho Jerónimo como pessoa de bem e exemplar no trato para com os outros; uma atitude misógina deste calibre não se coaduna com a pessoa e muito menos com o líder político. Se a infeliz frase foi mesmo dita com a intenção de minimizar politicamente uma mulher e uma força política que têm mostrado o quanto merecem o respeito do povo português, é triste, grave e lamentável. Convinha o esclarecimento, já agora.

O PCP peca, e perde, pela falta de agilidade na comunicação, onde o BE é exímio e acutilante. Se o PCP quer acompanhar o ritmo frenético do Séc. XXI, tem de sair do Avante! para o mundo, tem de deixar-se contaminar pelo fulgor da juventude, tem de marcar uma presença forte e coerente nas redes sociais, tem de dotar o discurso de maior capacidade de improviso, de subjectividade (ou seja, autenticidade). Bater sempre na tecla da "política patriótica e de esquerda" e afins é um erro, é dar argumentos a quem etiqueta tudo como "a cassete" e nem se dá ao trabalho de escutar o seu significado.

Do mesmo modo (e aqui Edgar Silva é o último exemplo flagrante), não pode existir hesitação nem respostas enigmáticas a questões muito objectivas. Se há democracia na Coreia do Norte, a liberdade de expressão em Angola, etc. e tal. Há que agarrar o toiro pelos cornos e assumir, com toda a frontalidade, onde os outros projectos comunistas falharam; há que assumir deliberadamente que o projecto do PCP não passa pelos mesmos moldes e explicar, com factos, argumentos e propostas, qual é a proposta do PCP para Portugal.

Assumir humildemente a derrota nas presidenciais seria um bom começo num virar de página. A substituição da lideranla de Jerónimo, como tem vindo a ser referida por aí, não tem resposta em Edgar Silva (que, apesar de tudo, foi um dos melhores candidatos de sempre do PCP). Ouçam o que eu digo: Bernardino Soares.

Tenho-me divertido à brava com o bluff que o António Costa pôs toda a gente a jogar. Divirto-me, sem ansiedades de maior, porque acredito que não passa disso mesmo, bluff, com o único propósito de:

a) se correr demasiado bem (era preciso que o Cavaco deixasse de ser quem é, ou nascesse outra vez) chegar a ser primeiro-ministro - não acredito por um minuto;

b) ficar legitimado para o que vem a seguir e tentar não perder o que falta do eleitorado. [Infelizmente, algures pelo caminho ganhei este cinismo que me impede de sonhar a cores com o (tão assustador para alguns) "governo de esquerda". Não vai acontecer.]

E mesmo que o PS e os partidos da verdadeira esquerda (porque não basta ter o socialismo no nome) chegassem a um entendimento, seria ainda um governo centrista - na melhor das hipóteses, e porque puxado por duas rédeas para a esquerda. Convenhamos, sempre que o PS tem sido governo, em matérias sociais como o trabalho, saúde e educação, teve posturas tão ou mais à direita que os governos PSD ou PSD+CDS.

A CDU esteve à altura do momento e teve uma atitude exemplar, quanto ao zelo pelos melhores interesses do país e quanto à inteligência necessária para lidar com esta questão. Está disponível para deixar passar uma proposta de orçamento que tenha em conta os pontos fulcrais para as protecção dos direitos dos trabalhadores e não exige qualquer cargo nos ministérios (novamente, bem, porque nem a CDU quer "tacho", nem seria coerente com o discurso em relação às propostas mais neoliberais do PS e ainda deixa o espaço necessário à oposição que fará falta em todos os pontos sem o "consenso" da esquerda). Ou seja, pagou para ver e subiu a parada.

O Bloco, talvez por ainda estar a viver uma espécie de euforia pós eleições, esperou (por um lado, para ver a reacção de comunistas e verdes, por outro, para poder ter a última palavra) e surfou a onda. Catarina Martins colocou toda a sua teatralidade nas primeiras declarações após a primeira reunião com o PS e exagerou ao dizer que o governo de Passos e Portas havia acabado. As precipitações podem ter aquele efeito do discurso do Rui Tavares pouco depois das 20:00 de dia 4, que em pouco tempo de virou contra ele, transformando-se num - como se chama na minha terra - grande melão.

Costa está a fazer-se de difícil com a coligação (e a conseguir exactamente o que quer), Passos já começou o discurso choramingão do costume: "aquele menino não quer brincar comigo".

A minha aposta no que vai acontecer: como Costa tem a bola, mas quem tem o campo e as balizas são os meninos queques (PàF), lá chegarão, com enorme sacrifício de parte a parte, a um acordo de amigos. O jogo será arbitrado pela esquerda séria e a sério, espera-se um festival de cartões e até uma ou outra expulsão. As claques vão andar exaltadas e são expectáveis distúrbios de alguma violência verbal (mas não mais do que isso). Na 2ª parte (logo após as eleições presidenciais de Janeiro), é possível que as tendências de jogo mudem...

E nós a gostar de ver...

Queria comentar mais amiúde os resultados eleitorais, mas de cada vez que escrevo uma frase depois de "grande resultado do Bloco e da Esquerda", fico com náuseas. Portanto, falarei só da abstenção.

A abstenção é a maior inimiga da democracia. Os valores são absurdos. São trágicos. Cerca de 43,1% dos eleitores abdicam do seu maior poder quanto a determinar o rumo do país.

9.375.466 eleitores portugueses inscritos (dos quais votaram 5.333.888). Não votaram 4.041.578 eleitores, sensivelmente o dobro do que o número de votos na coligação PàF, a opção mais votada!

Algo me diz que este valor está longe do real; não retirando importância à enormidade do valor da abstenção, era mesmo capaz de apostar que há qualquer coisa como um milhão de mortos nas listas, pelo menos. E limpar os cadernos eleitorais, hein?

 

Ao longo do dia, muitas pessoas nas redes sociais partilhavam que nunca haviam visto as mesas de voto com filas tão grandes. Eu não notei grande diferença, na Freguesia onde voto (e votei na maior parte dos meus anos de eleitora) há sempre fila. Não me lembro de em alguma eleição não ter de esperar. Verdade que não estive presente em todas, porque houve o ano em que o Cavaco marcou as eleições autárquicas para as minhas férias (que eu tive de marcar antes de haver data para as eleições e tive em atenção a data que se dizia ser a mais provável para ir a votos). Na altura, o cidadão comum não podia votar se estivesse ausente ou distante da freguesia em que está recenseado. Só se fosse atleta ausente em representação da Selecção Nacional, militar, hospitalizado ou presidiário, era possível aceder ao voto antecipado. Se estivesse acamado de forma súbita ou imprevisível, se estivesse fora em trabalho, ou lazer, não interessa, perdia o direito a votar. A lei eleitoral parece que já mexeu qualquer coisa e já não é bem assim. Afinal, apesar de tanto foguete lençado porque aparentemente a abstenção teria diminuído muito discretamente, não diminuiu coisa nenhuma.

Quanto aos emigrantes, não é fácil votarem, devido a uma carga burocrática irrealista. Recordo-me de umas amigas que viviam numa grande cidade alemã enquanto faziam o doutoramento e era mais fácil voarem para Portugal na altura das eleições do que conseguirem votar na Alemanha (e ainda assim teriam de deslocar-se a Berlim).

Estas coisas fazem-me comichão no neurónio. Em pleno século XXI, na Era da Comunicação, que sentido faz que o voto ainda se processe com cadernos eleitorais de papel e com estas limitações geográficas? Não seria bastante fácil permitir o voto em qualquer secção, com controle electrónico? Recordo-me de, há uns anos, terem sido testadas umas cabines de voto electrónicas. O que aconteceu a esse projecto?... Se se quer realmente combater a abstenção (duvido, dizem os estudos que quando desce a abstenção, ganha a esquerda), esse seria um belo começo.

A seguir, o próximo governo, se for minimamente sério, deveria dedicar-se a combater o problema na sua origem e a atacá-lo de frente. Se fosse eu a mandar podiam ter a certeza que o voto seria obrigatório. Mas também tornado bastante mais acessível e facilitado.

 

Ficam algumas dicas. Vão-se lá entreter agora a contar deputados e a esperar pelas contagens da emigração. Eu ficarei a sonhar com um acordo sério entre os partidos de esquerda para umas próximas eleições menos más.

Mas qual debate? Não estavam os dois a dizer o mesmo?

Os óculos do Passos são cosméticos, para lhe darem um ar mais maduro e menos trafulha, certo?

O Costa andou claramente a ter lições de como controlar a linguagem corporal. E andou a estudar um discurso vagamente inspirado na esquerda, mas que só convence os idiotas e amnésicos.

Ninguém se quer comprometer com nada de muito concreto. Há políticas para isto e aquilo, mas ficamos sem saber quais.

Ninguém fez perguntas realmente fracturantes e importantes.

Passos não se arrepende de nada. Eu gostava de perguntar aos que votaram PSD e CDS se já se arrependeram do voto ou o que mais é necessário para que se arrependam.

A Judite começou bem mas depois enrolou-se toda no seu costumeiro ridículo.

O jornalista da RTP devia estar com sono, pareceu-me.

A Clara de Sousa foi a vencedora da noite. Está cada vez mais gira e nova.

Há pessoas, que serão representativas duma secção importante do eleitorado, calculo eu, que tentam desculpar o voto ignóbil chamando-lhe "voto útil", que consiste em votar num grande partido ou coligação para que outro grande partido ou coligação não "ganhe" eleições. Defendem-se com o ainda mais ignóbil argumento de que os pequenos partidos nunca irão "ganhar".

Quando às legislativas, não só essa interpretação se esquece de que o CDS, a quarta força política do país, conseguiu constituir (des)governo com os laranjas, como - muitíssimo importante - se esquecem de que as eleições legislativas servem primeiramente para eleger os deputados representantes dos respectivos círculos eleitorais. E só depois para o(s) partido(s) mais representado(s) ser(em) convidados pelo P.R. para constituir governo. Trocando por miúdos, gostava que ninguém pensasse que no próximo 4 de Outubro tem de escolher entre a dupla Passos + Portas (= ❤?) e o Costa. Gostava que ninguém tivesse dúvidas que não é disso que se trata. (Até porque, aqui entre nós, entre uma e outra opções, venha o Diabo e escolha.) Um deputado honesto e competente pode fazer uma enorme diferença. Cada voto conta. Conheçam as listas de todos os partidos a votos no vosso círculo eleitoral, pesquisem sobre o seu trabalho se já foram eleitos ou ocuparam cargos públicos anteriormente.

Perdoem a expressão, mas não se limitem a escolher entre a merda e o cagalhão (rima e é verdade). Façam-se representar!

 

Este artigo não faz sentido nenhum.

 

AntiBlogue Que disparate! A D. Marisa Moura não percebe porque é que os boletins de voto não têm opções "não respondo", eu explico: a Democracia faz-se com a participação do povo. Com decisões, com opiniões, com vontades. Não se faz com ombros encolhidos nem com silêncio. Votar em branco, nulo, ou abster-se é exactamente a mesma coisa, leia-se desresponsabilização. É dizer "o que vocês decidirem, por mim está bem." Não é um protesto, nem sequer silencioso. É não votar. É não assumir a responsabilidade e não exercer o seu direito e dever. As eleições legislativas servem para eleger representantes dos cidadãos num Parlamento. Ora, os votos em branco, nulos e afins não se traduzem em qualquer representação. Faria sentido que o Parlamento tivesse cadeiras vazias na proporção dos "votos mudos"?! Quem é que (des)governava o país então?
As cabecinhas têm de ser usadas para pensar, não pode ser só para usar penteados e chapéus!