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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

Bem sei que o gin está na moda, cheio de ervas e condimentos. Bem sei que o possuidor de gosto requintado prefere e conhece vinhos. Bem sei que a geração do imediatismo bebe refrigerantes cheios de gás e açúcar. Tal como os homens de negócios escolhem whisky (sem gelo). E que as senhoras de meia idade tomam um Porto a acompanhar a sobremesa caseira. Já a tribo "fit" escolhe chás, infusões e leites vegetais. Todos regados a café, esse sinónimo de modernidade quando verdadeiro, e de pose para o instagram se um daqueles sucedâneos aguados do Starbucks.

Se os blogs fossem bebidas até era bem simples identificá-los, hein?
Este blogue é diferente, a antítese, o contrapeso. Responde a uma necessidade mais primitiva (a necessidade de escrever, opinar, disparatar). Mais puro? Não sei. Sem froufrous especiais de corrida, sem dúvida. Este blogue não é servido em flutes nem vive das etiquetas e rótulos. É água da torneira.

(Às vezes rum cubano, añejo, que somos pelintras mas não abstémios.)

Não é meu hábito falar sobre pessoas que não conheço, muito menos se forem bloggers. Quem gosta come, quem não gosta não come, cada qual é como é é diz o que quiser e lhe der na bolha.
Vou abrir a excepção no que diz respeito à Ana Garcia Martins. Só lhe passei a conhecer o nome quando venceu um prémio (?) um bocado parvo da mulher mais invejada de Portugal. Até então só conhecia a Pipoca Mais Doce, isto no tempo em que os Blogs ainda não eram instrumentos publicitários e os bloggers não mostravam a cara nem o nome. Seguia o blog da Pipoca com gosto, porque a escrita era ligeira e com piada, irreverente e original.
Depois, quando os Blogs, nomeadamente o da AGM, se tornaram uma seca de conteúdos giros, só a girar em torno de parcerias, marcas, passatempos e tendências de moda, desinteressei-me um bocado, apesar de continuar a seguir alguns, que porque sempre continuei a blogar no meu registo anónimo e, então, melancólico-poético-muito-sofrido-coiso. Continuei a seguir a Pipoca Mais Doce, sem o entusiasmo de antes, mas porque de quando em vez lá vinha a essência da Ana ao de cima. A AGM passou a ser freelancer, e a viver essencialmente do blogue, e mesmo quem a detesta tem de reconhecer que não é qualquer tola que o consegue. E eu admiro profundamente a Ana. Não gosto de tudo o que ela faz, não concordo com muitas das coisas que diz, mas admiro a enorme lucidez, a capacidade de agarrar mil projectos, o poder mobilizador que ela (e só ela, lamento) tem nisto dos blogues. E depois há o outro lado, a perda da privacidade, o ser conhecida na rua, o ter de aturar os haters (e isso pode intimidar muito boa gente), o toda a gente saber de coisas íntimas como o casamento, o cão, o filho, a separação. Eu nunca seria capaz de abdicar desta redoma que me protege dessa exposição. E isso só me faz admirar ainda mais a AGM.
Volto a frisar, não conheço a Ana Garcia Martins de lado nenhum, a minha opinião não poderia ser mais isenta. Aliás, dificilmente poderíamos ser mais diferentes.
Isso tudo para dizer que, seja lá por que conjugação de factores seja, ultimamente sinto que a antiga Pipoca está de volta. Voltou a escrever com a acidez e o sarcasmo de há 10 anos, a soltar a franga daquela parvoíce teenager que dá gosto, voltou a ter piada sem ser sempre politicamente correcta, e voltou a dar-me muito gozo em seguir o blogue.
Pipoca, sê bem vinda de volta, miúda!

Este post está em rascunho na minha mente há meses. Aliás, há anos. É um assunto que ainda é um pouco tabu, sobre o qual ainda há muita desinformação e preconceitos, e por isso mesmo é raro falar disto - mesmo entre amigos próximos.

 

Conhecer pessoas (romanticamente falando) pela internet. Sinto que chegou a hora de dar o meu testemunho, aproveitando que a SIC chamou o tema ao prime time com a sua reportagem especial de domingo.

Talvez o meu testemunho seja relevante, até porque as relações amorosas importantes da minha vida passaram todas (as 3) pela internet. A primeira por acaso e há demasiados anos para que coisas como o Facebook ou o Tinder sequer existissem, e numa altura em que havia uma grande dose de cepticismo (de minha parte, pelo menos) no que seria a realidade do outro lado. Passados tantos anos, concluo que ainda há muitos preconceitos e disparates na cabeça das pessoas. Tudo o que digo aqui é, naturalmente, apenas a minha perspectiva, mas acreditem que eu sou qualificada para falar do assunto. Está na hora de desfazer equívocos e dogmas. Vamos a isso!

 

Ninguém é na realidade o que diz ser na internet. Mentirosos há em todo o lado, e convenhamos: quando conhecemos alguém que nos interessa romanticamente não começamos por desvendar os nossos piores defeitos, certo? Depois de muita reflexão sobre o assunto, achei na altura em que conheci o meu primeiro namorado a sério na internet que era mais fácil as pessoas serem transparentes na internet, mais genuinas, do que ao vivo e a cores. E isso traz óbvias vantagens no campo amoroso. Quanto à minha forma de estar na internet, seja em que contexto for, isto sempre foi incontornável - consequência da introversão natural, da auto-estima esfolada, do à vontade com a expressão escrita e da protecção que o monitor traz.

 

É perigoso. Claro que pode ser muito perigoso, especialmente se em vez de pessoas adultas e responsáveis estivermos a falar de jovens com pouco conhecimento dos riscos que correm em fornecer informações pessoais a estranhos. Isso jamais se faz! E se chegar a hora de marcar um encontro, deve escolher-se sempre um local público, bem iluminado, com bastantes pessoas à volta e, de preferência, policiamento e câmaras de segurança. Adicionalmente, e eu sempre fiz isto com as pessoas que conheci da internet, dizer a um amigo próximo o que vamos fazer e o local do encontro, combinando uma hora para dar notícias. "Se às x horas eu não disser nada e não me conseguires contactar, chama a polícia e dá estes dados" (incluindo n.º de telefone da pessoa com quem nos vamos encontrar, etc.).

 

É difícil! Encontrar o amor é, realmente, difícil. Pode ser desesperante e pode ser uma busca infrutífera. Mas também pode surgir quando e onde menos esperamos, e nesse momento todos os desgostos, toda a solidão anterior, passa a ser apenas uma névoa sem importância. Eu já tinha deixado de acreditar no amor e desistido completamente quando ele me encontrou, monitor adentro. Quando me inscrevi no site que me deu a conhecer o meu babe, a verdade é que ia sem expectativas. Aliás, dizia explicitamente no meu perfil que não procurava um namorado, estava mais interessada em encontrar um companheiro de viagens. Lá está, não havia nada a perder. Na pior das hipóteses conhecia virtualmente algumas pessoas que poderiam ou não transitar para a "vida real". E fazer uma incursão exploratória é tudo menos difícil, é inserir uns dados num site e voilá. Hoje em dia a maior parte de nós simplesmente deposita a maior parte da energia e do tempo no trabalho, trabalhamos horas a fio, que nem loucos, e quando não estamos a trabalhar estamos a caminho do trabalho ou a cumprir rotinas. Não sobra muito tempo para socializar na rua, em bares e cafés, sobretudo depois dos trintas, quando a disponibilidade das companhias naturais (os amigos) vai também escasseando. O telemóvel está sempre connosco, o computador está ali, e é muito mais fácil e rápido conhecer alguém, ou pelo menos "explorar o mercado" por estas vias.

 

Quem se conhece pela internet só está interessado em engate. Não é verdade. Temos que contextualizar as coisas. Os factos são que há muita gente sozinha, muitas pessoas que não conseguiram recuperar depois de relações falhadas e ainda os que nunca encontraram alguém especial. Também há (e não são poucos) os que só procuram sexo, um engate de uma noite, ou mesmo um caso extra-conjugal. [Recordo-me de um rapaz que jogou insistentemente a carta do "coitadinho de mim, só conheci uma mulher na vida e tenho curiosidade de saber como é estar com outra pessoa" - a sério, isto resulta com alguém?] E então? Há em todo o lado pessoas que procuram o amor verdadeiro, pessoas que procuram apenas uma companhia, pessoas que procuram apenas encontros sexuais. Basta dizer frontalmente ao que se vai. Se encontramos quem queira o mesmo, muito bem, se não, dizemos que não e passamos p'ra outra. 

 

Dar tampas e o medo da rejeição. Pois, lamento, temos de estar preparados para levar tampas e também para as dar sem grandes demoras. É simples dizer que não. É muito mais simples dizer que não pela internet, em que podemos simplesmente não responder, bloquear alguém ou dizer, honestamente "não estou interessada". Acredito que quem está do outro lado também não terá grande interesse perder tempo em bater na mesma tecla, afinal, há muitos peixes no mar.

 

Mas só há falhados e gente esquisita nesses sites! Gostos não se discutem, quem feio ama bonito lhe parece e todos os provérbios populares aplicáveis têm o seu fundamento, ok. Nos sites de matchmaking, como na tua rua ou lá no emprego ou em qualquer discoteca, há exactamente o mesmo tipo de pessoas: todas diferentes umas das outras. Nada como experimentar, não há nada a perder, certo? Da minha experiência pessoal, posso dizer que estive uns tempos registada em 2 sites de matchmaking. Num deles, maioritariamente dominado por pessoas de meia idade e com uma perspectiva mercantilista (o site oferecia x mensagens de borla, para aceder a mais era preciso pagar), não encontrei qualquer interesse. Terá sido azar, mas só me contactavam pessoas cujo perfil simplesmente não me interessava minimamente. Já no outro site, o OK Cupid, posso dizer que conversei com várias pessoas e encontrei pessoas realmente interessantes, inteligentes, cultas, com interesses semelhantes aos meus e sistemas de valores compatíveis com o meu, que poderiam facilmente ser minhas amigas. Aliás, foi precisamente aqui que encontrei o amor da minha vida. O OK Cupid faz uns questionários e cruza os resultados, apresentando uma percentagem de compatibilidade entre 2 pessoas, e recomendando pessoas (próximas geograficamente ou não, segundo me lembro esta é uma opção editável) com elevada compatibilidade. Só tenho a dizer o seguinte: resulta!

 

Não conheço casos de sucesso. Talvez conheças mais do que pensas. Acontece que, como disse acima, as pessoas ainda têm receio de falar abertamente sobre o tema, para evitar comentários parvos e preconceituosos, bem como perguntas tontas e indiscretas. Há muitos, mesmo muitos, casos em que a coisacorreu francamente bem. Conheço um casal que não só se conheceu pela internet, como começaram oficialmente a namorar apenas através da internet (tinham todo um oceano a separá-los), e ficaram noivos sem nunca antes se terem tocado. Hoje, passados uns 12 anos, vivem juntos e felizes, têm um filhote, e confirmam que foram feitos um para o outro, mas sem a internet dificilmente se teriam cruzado. 

 

E os blogues?! - perguntar-me-ão. Os blogues são janelas privilegiadas para a alma das pessoas que os escrevem. Com todas as vantagens e desvantagens que isso pode trazer, eu acredito que podemos realmente conhecer algumas pessoas simplesmente lendo aquilo que escrevem. Tenho bons amigos que os blogues me trouxeram ao longo dos anos. Tenho um grande amigo que me perguntou há anos, quando tinha um blog anónimo e muito pouco conhecido, se era eu a autora, porque reconheceu a minha escrita. Tive um namorado que se apaixonou por mim conhecendo apenas as palavras que depositava num blogue.

A conclusão que retiro de tudo isto é apenas uma: a internet é apenas mais um lugar onde as pessoas se podem conhecer, apaixonar, fazer amigos, criar ódios viscerais, dizer e fazer disparates, perder tempo ou encontrar a felicidade. Ou seja, exactamente como uma extensão do resto do mundo.

 

 

 

Aqui há dias, a sorte bafejou-nos (que invulgar!) e vencemos um passatempo promovido pela plataforma Blogs Portugal em parceria com a Chiado Editora.

O prémio foi o romance "Serás Sempre uma Dádiva", de Carla Costa Fonseca, e já chegou cá a casa. Estou curiosa, sobretudo por se basear em factos reais.

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Fica prometida a resenha para breve!

 

Para já, ando a ler um dos novos autores portugueses que mais interesse me suscita, o João Tordo, no seu "O Bom Inverno", um romance que já tinha comprado há bastante tempo mas só agora comecei a ler. Tal como já tinha acontecido com o "Hotel Memória", o primeiro que li do autor, a escrita é escorreita e límpida, mas complexa e profunda, cheia de insinuações que fazem querer virar página atrás de página. Em comparação, "O Bom Inverno" parece-me mais plano em termos de acção narrativa, mas talvez mais maduro e subtil.

O tom melancólico, pessimista, impregnado das fatalidades banais que podem facilmente suscitar empatia do leitor, presente em ambos, agrada-me bastante (apesar de num registo completamente diferente, faz lembrar um pouco das construcções da Alice Munro). Muito, muito bom! Tenho vontade de ler a bibliografia toda do João Tordo, e lá chegarei!

Eu era (e sou) de esquerda (esquerda a sério), e a favor de uma PGA no acesso ao ensino superior. Não nos moldes da famigerada PGA tal como existia, limitada a questões de Português e História, mas uma PGA com questões essenciais de Português, Matemática, Ciências da Vida, História e actualidade. Considerei uma PGA útil e necessária enquanto aluna do Ensino Secundário, enquanto aluna do ensino superior e enquanto professora do ensino superior. Não acho (sem grandes certezas, porque estou distante da realidade do ensino básico) que os exames nacionais do 4º ano sejam úteis e muito menos necessários, mas acho que a avaliação é necessária e tem de ser encarada com toda a naturalidade.

 

A propóstito deste post do sempre acutilante País do Burro.

Vamos imaginar uma realidade alternativa (ou nem tanto) em que houvesse pessoas que não saem de casa, não recebem visitas, não vêem notícias nem nada na televisão e a única coisa que lêem são blogs portugueses. Ou seja, o seu único contacto com o mundo "lá fora" são os ditos blogs. (Não aqueles de que gosto, vamos só criticar e desdenhar dos mais conhecidos e bem-sucedidos - que naturalmente também lemos e nos provocam dor de cotovelo q.b.)

Está imaginado? Digam lá se estão a ver o mesmo que eu...

 


Toda a gente é bonita. Toda a gente é magra. Toda a gente é do Benfica. Toda a gente tem sorrisos Pepsodent, dentes alinhados e muito brancos, e as senhoras estão todas depiladas a laser alexandrite. Todos os casais são hiper-mega-felizes, sempre, sem discussões nem arrufos nem tradições, nem palavrões. As crianças são todas lindas, andam sempre bem vestidas e nunca sujam as fatiotas cheias de pinta e cetim e rendas.  Todos os empregos são fantásticos, interessantes e bem remunerados. E com horários espectaculares, muito flexíveis, até dá para escrever e ler os blogues todos do pedaço. As casas estão sempre imaculadamente limpas, arrumadas e bem decoradas. Nunca ninguém tem uma caganeira diarreia (só mental). Toda a gente é desportista, toda a gente corre maratonas, toda a gente vai ao ginásio e tem um PT (já se sabe, chama-se Pedro). As vidas são excitantes e bonitas. Toda a gente estreia roupas e sapatos todos os dias. Que são fotografados por profissionais ou com um iPhone em frente ao espelho. Toda a gente come muito sushi e bebe muito gin. Toda a gente vai ao Mercado da Ribeira e ao Mercado de Algés e ao Mercado de Campo de Ourique (não se percebe porque falam tão pouco no Bom Sucesso, muito mais giro). Lêem imenso, recomendam todos os livros que lêem porque são todos óptimos (mas as lombadas nunca ficam com aquele vinco do uso). Os animais são lindos e bem comportados e tão espertos, nunca têm parasitas. Toda a gente adora os protectores solares Piz Buin, e bebe Água do Luso, e come as mesmas bolachas e iogurtes. Toda a gente usa o verbo piscinar aos fins-de-semana de verão (nos fins-de-semana de Inverno vai-se ao melhor brunch da cidade encher o bandulho). Toda a gente tem óculos de sol da moda, e tem toalhas e almofadas de praia 100% portuguesas, e vai a spas da Odisseias em casal - que são, claro!, o melhor do mundo. As pessoas ficam muito cansadas do seu ritmo de trabalho e precisam muitas vezes de relaxar ao sol, a dois, sem as crias. Ninguém faz publicidade, há é coincidências do catano e gostos muito parecidos. Vai-se imensas vezes jantar e almoçar fora (alguma vez se viu um blogger falar de arear panelas ou queimar o arroz?), mas se houver festa lá em casa o pronto-a-comer do Pingo Doce safa tudo. As maquilhagens são, obviamente, perfeitas e feitas só com produtos de marcas caras, idem aspas para mani e pedicures.

Talvez seja por eu ser do contra, mas... irrealista às pazadas e uma beca enfadonho, não?! 

Eu já não aguento ouvir tantos disparates da boca de quem não percebe um boi de política, de justiça social ou de economia. Toda a gente tem uma opinião, fundamentada nas gordas dos jornais e nas frases que apanha na TV a meio do jantar, da boca do professor Martelo. 

Informem-se, ou calem-se. Ou então, tomem lá um ponto de vista esclarecido q.b. (só tem um erro ortográfico, que caiar é bem diferente de cair).

 

AQUI

Não sou mãe, nunca estive grávida (que eu saiba) e também nunca tive a menor dúvida que interromper uma gravidez não deve, não pode, ser crime, nem para quem tem o feto dentro de si, nem para os profissionais qualificados que ajudam a terminar a gravidez com condições de higiene e de segurança.

Mas há um grupo de cidadãos, "Pelo direito a Nascer", liderados pela ex-deputada do PSD, Isilda Pegado, que propõe o fim da isenção de taxas moderadoras para as mulheres que optam por fazer uma IVG e que vai levar esta proposta ao Parlamento no próximo dia 3 de Julho.

São dois disparates de uma só vez. Se só o conceito de taxas moderadoras na saúde é um absurdo que serve principalmente como mais um factor diferenciador e que impede o acesso de quem menos tem aos cuidados básicos de saúde, a sua aplicação no caso da IVG, que é, por muitas mulheres, motivada precisamente pela falta de condições económicas para ter um filho, é claramente um desincentivo (usando um eufemismo) à mesma. Outra coisa não seria de esperar por parte direita conservadora e ressabiada pelos resultados do último referendo e a nova legislação. Mas, até para eles, obrigar a grávida a assinar uma ecografia para autorizar o procedimento é apenas um requinte de malvadez.

Que os eleitores não se esqueçam disto quando forem votar nas próximas legislativas!

 

Sobre o tema, partilho o texto da Pólo Norte, porque concordo em absoluto com o que diz, e porque tenho sempre um especial orgulho nas pessoas que já foram de direita e depois vêem (pelo menos um bocado) (d)a luz.

 

 

Já agora, fiquem com o link de uma página que reúne informação e pontos de vista sobre o aborto, bem como sobre a contracepção, legislação em vigor, etc.: www.aborto.com

 

*algures no blogue, talvez mais do que uma vez, a PN menciona que já foi militante do PSD

A Rititi não sabe, mas aqui há uns anos (algures por 2009 ou 2010) disse-me umas verdades. Eu já sabia tudo o que ela me disse, e por isso mesmo, precisava de ouvir (ou ler, no caso) a confirmação de parte de alguém isento e detentor da racionalidade de que eu tinha abdicado.

Às vezes uma rubrica num consultório sentimental pode fazer mais pelas pessoas do que os seus autores imaginam...

Obrigada, Rita. E olha, agora estamos todos felizes.

Pois é, eu faço mesmo jus ao nome. Anti-social (desde) sempre.

Não é por não gostar das pessoas, que até, em particular, vou gostando de algumas e, mesmo quando contrariada, conheço pessoas novas acabo por dar o braço a torcer e achar que é muito bom. Mas ir propositadamente ao encontro de pessoas, ainda por cima em grupos, não é mesmo para mim. Bem sei que os introvertidos são uns incompreendidos, mas o resto de vós, por favor, pelo menos tentem colocar-se no nosso lugar. Socializar drena-nos a energia, ao passo que aos extrovertidos recarregam baterias com a energia que retiram destes ambientes. Nós, depois de um encontro social, barulho, risadas (que são coisas que nos exigem esforço, apesar de saírem naturalmente), só queremos fugir para o nosso silêncio e voltar a encontrar a sintonia com o nosso íntimo.

 

Especificamente, conhecer colegas de blogosfera... Pá, não. Obrigadinha, mas não. Primeiro coloca-se a questão da privacidade, que aprendi a não abdicar. (Já lá vai o tempo em que ia descurando aos poucos esta vertente e já meio mundo sabia do blog, já toda uma intrusão do meu mundo escapava para quem devia e para quem não devia.) É bem mais interessante conhecer bloggers que não fazem puto ideia de quem eu sou ou fui. Segundo, e se as pessoas são todas iguais aos seus blogues? Vão desatar tod@s a fazer abdominais e burpees e falar mal dos vestidos e (credo!) mostrar os joanetes ao sunset e comprar fraldas, de gin com pimentas na mão? E eu, ficava ali a um canto a ser invisível e a beber rum? Nah, ide vocês que eu fico aqui a apreciar a minha vista para o Tejo.