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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

Não é demais repetir até à exaustão porque há muito mais para dizer, para viver, ouvir e sentir.

É oficial, estou apaixonada pelo Salvador Sobral. Pela voz, firme e cristalina, pela alma, pelo ritmo, pela simplicidade, pela espontaneidade, pela postura perante a exposição mediática, pela rejeição do aproveitamento da doença, pela brutal honestidade, pela graça do seu jeito despreocupado. Pela imensidão do talento concentrado num só ser humano. Arrebatador.

O Salvador é um dos grandes, dos maiores, dos fora de série. Todo ele música, todo ele sentimento. Tão bom que chega a ser dramático, doloroso até. De ir às lágrimas, literalmente. "Voz de anjo", dizem. Coração de anjo, digo eu. Frágil, sofrido, leve, e com a força de uma trovoada. Não deixa ninguém indiferente, ama-se ou odeia-se. Só com a voz e a capacidade de reinventar cada canção em cada actuação, simples ou gutural, nada nesta criatura é normal, medíocre ou morno. Tudo é beleza pura.

(Posso ser parcial, e sou, que quando gosto sou exagerada, tudo-ou-nada kind of love, mas para mim o Salvador está hoje ombro a ombro, mano a mano, com o Benjamin Clementine. Acima deles, de entre os vivos, só o Mestre Jorge Palma, único e inigualável e para sempre o melhor do mundo.)

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Não me canso de ouvir o disco (Excuse Me), não me canso de repetir o maravilhoso concerto a que tivémos o privilégio de assistir ao vivo, no Fórum Municipal do Seixal, e que passou na madrugada de sábado passado na RTP 1. Com a agravante de toda a febre da Eurovisão estar ao rubro, com uma enorme expectativa e mediatismo em torno da canção portuguesa, sorvo os vídeos dos ensaios, das entrevistas e das opiniões. E isto tem de ser dito com ênfase na real distância que me separa de todo o fenómeno eurovisivo. Eu, que já fui daquelas pessoas para quem o Festival da Canção era um "happening" musical todos os anos e que até já estive para compôr uma canção com uns amigos para participar (há 7 ou 8 anos), nos últimos tempos tenho ignorado o evento e, lamento constatar, apenas como consequência da pobre qualidade das canções escolhidas. Portanto, para deixar bem claro: que eu acorde com o Nada que esperar ou o Change a tocar dentro da cabeça é mérito integral do génio do Salvador Sobral; e é perturbador e é uma explosão de alegria.


Em dia de semifinal lá na Eurovisão, não deixa de ser curioso observar alguns fenómenos tão "tugas" - dos tugas que vivem de redes sociais, de CM TV, que se exaltam com as vitórias e derrotas futebolísticas, os que acham que Fátima é um lugar sagrado que serve para fazer e pagar promessas, e a volatilidade das suas marés. Como as pessoas passam de bestas a bestiais num sopro!...
Os que torceram o nariz à canção "Amar pelos dois", seja por não percebem um caracol de música ou por acharem que a canção não é "festivaleira" o suficiente, parece que agora andam ansiosos e em vias de mudar de opinião porque a canção que representa Portugal na Eurovisão está bem cotada e tudo parece indicar que vai ter um bom desempenho em termos de classificação. Passeando um pouco pelo YouTube é fácil de perceber a quantidade de gente, de todas as nacionalidades, arrebatada pela canção e pela interpretação. Não é para menos, a canção é realmente perfeita. Per-fei-ta.

Mas nada disso interessa, o resultado da Eurovisão pode ser o que for, que já ganhámos. O Salvador Sobral ganhou projecção internacional e nós todos ganhámos um portento musical. Um dos grandes, dos maiores, dos fora de série.

O xilre é o meu novo blog-fetiche (adoro esta expressão, uma blogger que muito estimo usou-a uma vez com um dos meus blogs antigos e nunca mais me saiu da ideia). Adoro os textos em que se invade a privacidade de gigantes da pintura e literatura e os devaneios que exalam aquele inexplicável conceito de poesia.

 

[Aqui entre nós, a pintura é a minha paixão invejosa, ou o mais próximo da inveja que consigo sentir. Delicio-me com ela e detesto ter consciência de que nunca nesta vida saberei concretizá-la com a mestria dos que admiro. Ou sequer rodear-me da sua poesia (lá está) sólida e visível. Mas tenho um Klimt no quarto e um Monet na sala. A óleo, made in China, mas quase tão bonitos como se fossem originais.]