Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

O estagiário (não o "meu", que esse já se foi embora, infelizmente, mas regressou um dia para me trazer os limões que havia prometido na primeira semana de estágio - quase um ano antes) chegou uma semana antes do natal. Foi bem acolhido, claro. Eu fui lembrar The boss de contar com o miúdo para o almoço de empresa e para o cabaz de Natal. Teve, portanto, direito a uma festa de empresa, um outro almoço comemorativo de já não sei o quê (qualquer pretexto serve para a malta se juntar na galhofa e, sobretudo, comer - aquela malta é tipo marabuntas, vocês não estão bem a ver!), e ao cabaz de Natal (bem jeitoso, por acaso). Ao terceiro dia, saiu mais cedo, estava doente. Depois um familiar teve um problema de saúde, não veio. Depois teve problemas no regresso da terra e também não apareceu. Depois esteve doente outra vez. E depois deixou de avisar e continuou a não aparecer.
Depois houve algo entre um reality check e um puxão de orelhas e apareceu numa bela tarde. Depois melhorou, "só" não aparecia se algum dos chefes estava ausente. Ou se tivesse de "estudar", como se lembrou de avisar numa 2ª feira depois das 10. Além de tudo isto, nunca conseguiu chegar a horas, queixava-se da instabilidade dos comboios (só que há comboios de 10 em 10 minutos).
Deve ser do generation gap, mas isto faz-me uma confusão dos diabos. Comentava isto com o marido, e ele conta-me episódios idênticos na empresa dele. O melhor de todos foi o moço que, como lhe estavam a dar pouco trabalho para fazer (algo a ver com a indisponibilidade das chefias para dar orientação), decidiu deixar de ir durante uns dias, sem dar cavaco a ninguém e achando que ninguém daria pela sua ausência. Claro que a sua esperteza foi detectada (as leis de Murphy não falham) e não se deu lá muito bem.
Eu juro que não sou daquelas pessoas que dizem "no meu tempo é que era", mas o meu primeiro instinto é de indignação, por não compreender que noção distorcida da realidade que estes putos têm, se acham que este tipo de comportamentos é aceitável em ambiente laboral. Interrogo-me que noção de responsabilidade lhes foi passada em casa e nas escolas. Depois lembro-me que estamos em Portugal, terra onde reina a impunidade e onde a Chico-espertice dá vantagens inequívocas, e isso, infelizmente, serve de atenuante.

 

É verdade. Continuo a odiar a Fertagus. Às normais horas de ponta a coisa já é difícil, irritante, incómoda, cheia de gente, muito cheia de gente, com pouco espaço, cara. Mas pensava (pensava mesmo, sou tão ingénua!) que antes e depois a coisa marchava com mais facilidade. Mas consegue ser pior.

Chegar à estação antes das 7, com alguma pressa. Não ter bilhete. A bilheteira está fechada. Vou às máquinas, no outro extremo da estação. Mete cartão, escolhe bilhete, escolhe trajecto, escolhe quantidade, escolhe com NIF, o teclado está perro, repete o NIF. Paga. Não tenho moedas, não faz mal, a máquina aceita notas de 5, 10 e 20. Tenho uma nota de 20. Afinal a máquina não gosta das notas de 20, só tem troco se for nota de 10. Não tenho mais nenhuma nota, experimento a máquina do lado. Mete cartão, escolhe bilhete, escolhe trajecto, escolhe quantidade, escolhe com NIF, o teclado está perro, repete o NIF. Paga. A máquina também não gosta da nota de 20. A pessoa atrás de mim na fila confirma que as máquinas nunca deram para as notas de 20, não se percebe porque é que têm indicação das notas de 20 como aceites... Volta para trás, vai ao Multibanco, espera na fila, procura cartão, continua a esperar. Mete cartão, mete pin, escolhe operação, escolhe levantamento, escolhe valor: 10€. Volta para trás, mete cartão na máquina da Fertagus, escolhe bilhete, escolhe trajecto, escolhe quantidade, escolhe com NIF, o teclado está perro, repete o NIF. Paga com os 10 euros, sai o jackpot, moedas por todo o lado, agarra o talão, agarra as moedas, agarra o cartão. Comboio quase a chegar. Cartão dá erro de leitura. Outra vez. Parece que a culpa é da bagagem que está em frente ao sensor. Passa finalmente. Desce as escadas, o comboio chegou, já vem cheio, porra. Entra no comboio, encontra um lugar, tira a mochila, mete mala ao colo, mochila de lado. Encolhe joelhos para outra pessoa passar. Joelhos da frente a roçar nos meus joelhos. Pessoas por todo o lado, nos corredores, nos degraus. Entram mais e mais pessoas na estação seguinte e a minha mente divaga sobre a dinâmica de fluidos e a arrumação de passageiros nas carruagens. Chego ao destino. O intervalo entre o comboio e a plataforma é enorme, não sei como não há gente a esbardalhar-se ali a toda a hora. Escadas rolantes paradas. Odeio a Fertagus!

Bem sei que o gin está na moda, cheio de ervas e condimentos. Bem sei que o possuidor de gosto requintado prefere e conhece vinhos. Bem sei que a geração do imediatismo bebe refrigerantes cheios de gás e açúcar. Tal como os homens de negócios escolhem whisky (sem gelo). E que as senhoras de meia idade tomam um Porto a acompanhar a sobremesa caseira. Já a tribo "fit" escolhe chás, infusões e leites vegetais. Todos regados a café, esse sinónimo de modernidade quando verdadeiro, e de pose para o instagram se um daqueles sucedâneos aguados do Starbucks.

Se os blogs fossem bebidas até era bem simples identificá-los, hein?
Este blogue é diferente, a antítese, o contrapeso. Responde a uma necessidade mais primitiva (a necessidade de escrever, opinar, disparatar). Mais puro? Não sei. Sem froufrous especiais de corrida, sem dúvida. Este blogue não é servido em flutes nem vive das etiquetas e rótulos. É água da torneira.

(Às vezes rum cubano, añejo, que somos pelintras mas não abstémios.)

Aqui há dias, a sorte bafejou-nos (que invulgar!) e vencemos um passatempo promovido pela plataforma Blogs Portugal em parceria com a Chiado Editora.

O prémio foi o romance "Serás Sempre uma Dádiva", de Carla Costa Fonseca, e já chegou cá a casa. Estou curiosa, sobretudo por se basear em factos reais.

IMG_20160318_202646.jpg

Fica prometida a resenha para breve!

 

Para já, ando a ler um dos novos autores portugueses que mais interesse me suscita, o João Tordo, no seu "O Bom Inverno", um romance que já tinha comprado há bastante tempo mas só agora comecei a ler. Tal como já tinha acontecido com o "Hotel Memória", o primeiro que li do autor, a escrita é escorreita e límpida, mas complexa e profunda, cheia de insinuações que fazem querer virar página atrás de página. Em comparação, "O Bom Inverno" parece-me mais plano em termos de acção narrativa, mas talvez mais maduro e subtil.

O tom melancólico, pessimista, impregnado das fatalidades banais que podem facilmente suscitar empatia do leitor, presente em ambos, agrada-me bastante (apesar de num registo completamente diferente, faz lembrar um pouco das construcções da Alice Munro). Muito, muito bom! Tenho vontade de ler a bibliografia toda do João Tordo, e lá chegarei!

Eu viajo algumas vezes a trabalho. Esta semana é uma dessas, e estarei fora a partir de amanhã. Por isso mesmo, hoje tive de trazer comigo uma série de coisas além das habituais (mala, marmita e afins), nomeadamente o computador portátil (a que chamo, carinhosamente, "o trambolho", porque é pesado como o raio), o carregador, o rato, mais umas coisas necessárias ao sítio para onde vou. Ainda não preparei a mala, não me posso esquecer de uma série de coisas que tenho de preparar esta noite, nomeadamente pintar as unhas, que o verniz do chinês é mesmo excelente, mas as minhas unhas crescem tanto que já se vê a parte branca e não posso passar o resto da semana nestes preparos.

Entretanto, o gajo decidiu ir ao futebol, ver o Tondela (Tondeeeeeelaaaaa!) contra não sei quem. E lembrou-se de me pedir para levar a mochila dele para casa. Hoje. Porque já vou pouco carregada. E só apareceu mais tarde do que partiu o transporte que eu devia ter apanhado. Porque eu hoje até nem tenho pressa nenhuma. Grrrrr!

Se isto não é amor, não sei o que será.

Pouco me lembro e tenho uma pena do caraças. Normalmente, parecem inspirados em filmes. Só que vão mais longe nos efeitos especiais, e no elenco. Como daquela vez em que sonhei que estava com o babe num festival aéreo da Coreia do Norte, o "grande líder" lá estava a mostrar-nos as máquinas. Só que havia um género de uma plateia, com cadeiras e veludo vermelho (what else?), que estava suspenso no ar. Assim víamos os aviões mais de perto.

Terminou a saga do Robot de cozinha. Desisti da Yämmi para sempre. Desisti da Bimby, mas só até ganhar o euromilhões. (Ou então não, que com o euromilhões eu comprava era o querido Avillez, que ficava um mimo na minha cozinha. Wink, Wink!) Ganhou a maquineta do Lidl, que tem o pomposo nome de Monsieur Cuisine. A decisão foi tomada em sincronia com a promoção, há uns fins-de-semana atrás, de baixa do preço para os 186€.

A bem da verdade, ainda quase que não experimentei a bicha. Vocês sabem lá a correria da minha semana, e a indolência que toma conta da minha alma ao fim-de-semana... Contudo, num rasgo de estupidez (não me "alembrei" da parte da trabalheira que dá preparar tudo e depois limpar), convoquei a famelga para a consoada cá no palácio e, não contente com a experiência, repeti o feito na paragem de ano (perdido por 100, perdido por 1000 - o descanso). Sempre deu para testar um pouco mais.

Não fiquei deslumbrada com o desempenho a nível de potência, estava a fazer uma bola simples de chouriço e assim que comecei a acrescentar mais farinha o Monsieur começou a queixar-se (mas no livro de instruções diz claramente que a máquina não é adequada para massas mais consistentes, como de pão. OK, corresponde à verdade). De resto, não me desiludiu. Faz uma barulheira, como fazem todos os robots de cozinha, mas cumpre. Cozi massas, fiz béchamel, moí montes de coisas. Tudo normal.

Só tenho uma queixa. É que o livro de receitas da máquina alemã com nome de senhor francês deve ser muito porreiro, mas lá para os compatriotas da Anginha Merkel. Para o bom do tuga torna-se pouco útil. Era de valor o Lidl criar um ebook assim compostinho com receitas portuguesas para o Monsieur Cuisine. Mas enquanto não aparecer um ebook destes, fiquem a saber que é muito fácil adaptar receitas criadas a pensar na Yämmi (livro grátis online), ou mesmo na Bimby.

 

Nota: o Lidl não me paga, nem em valores nem em géneros, para estar sempre a dizer bem. Mas devia, que parecendo que não, são já 20 anos a defender o conceito e bastantes produtos. Até computadores (sim, no plural) já comprei a estes senhores.

Não falecemos nem fomos de férias, mas temos andado ainda mais baldas no que concerne à actualização do blog. Acho que o motivo principal é não termos nada de especial a relatar e a eterna desculpa de não ter tempo para nada também assenta aqui bem. Para terem uma ideia da pasmaceira da vida na margem certa, relato o meu dia até agora.

 

Acordei à hora do costume, apesar de hoje ser dia de folga (a malta reclama, mas a empresa ainda tem umas coisas porreiras). Arrastei o homem da cama (a empresa dele é menos porreira). Tomei o duche da praxe, vesti-me, coiso e tal. Arrumei quase toda a roupa passada. Fui à cozinha reclamar com ele porque deixou a loiça suja espalhada pela mesa e pela bancada e ameacei matá-lo ou acabar tudo com ele (já não sei bem porque são os argumentos que vou alternando conforme o tempo e/ou a disposição das facas do pão, sujas, em cima da superfície visível). Saímos os dois juntos, como de costume, mas hoje cada um para sua direcção. Fui (finalmente!) cortar o cabelo. Corte valente (os olhinhos da cabeleireira até brilharam quando lhe disse isso mesmo). Disse-me que sou parecida com a minha mãe, cliente habitual. Não é verdade, mas aceito. Deve ser por causa da cara de bolacha. Regressei a casa ainda não eram 8 horas. Tirei selfie para enviar ao babe (para o preparar e minimizar o choque, na verdade). Troquei a roupa pelo outfit de dona-de-casa-abençoada. Lavei uma montanha de loiça, arrumei duas montanhas de loiça lavada. Meti roupa na máquina para lavar. Acabei de levantar a mesa de jantar (porque para ele "levantar a mesa" é mover a loiça suja de uma mesa para outra e mesmo assim consegue ficar loiça por mover - é uma luta com anos, mas jamais irei facilitar ou ceder à visão falocêntrica do "ele até ajuda", comigo não funciona!). Abri a mesa da sala para caber tudo logo à noite, a toalha não é grande o suficiente, torna a fechar uma parte da mesa. Pus a toalha e o centro e umas taças com mimos. Lembrei-me das flutes, torna a lavar mais loiça. E mais umas taças e umas chávenas, é aproveitar a embalagem. Separei uns papéis para a reciclagem. Porra, o vaso da varanda tombou outra vez com o vento. Fiz a lista de tarefas com que vou brindar o babe quando ele chegar. Limpei o chão da casa toda, mesmo sabendo que logo vou ter de repetir a limpeza da cozinha e da sala.Tomei o pequeno-almoço e as drogas do costume. Passei a base nas unhas ("garra de leão"), que estão estranhamente fracas, e a merda da tiróide que não atina. Vim ler uns posts e deixar a quem por aqui passar um abraço sem promessas nem listas de objectivos para 2016, mas com boa vontade, gratidão e esperança genuína num mundo melhor amanhã do que é hoje. Vou decidir o que vou cozinhar e voltar ao serviço à cozinha. E logo vou brindar à saúde, à paz, à justiça e aos espumantes brutos. May the Force be with you!

 

Para os cépticos que ainda resistem contra os encantos da Força, o Nuno Markl fez uma óptima resenha na Visão.

 

Nós tentámos "evangelizar" os sobrinhos no último almoço de família, mas sem grande sucesso. Os adolescentes "já ouviram falar", mas a coisa não os aquece nem arrefece. Vai daí que depositámos todas as nossas esperanças no mai' novo, e aqui a tia não resistiu a este mimo para o puto, que vai, espera-se, adorar. Não porque saiba que raio de bonecada é aquela, mas porque a tia tem o condão de escolher sempre umas t-shirts que ele adora. Crianças de bom gosto, vê-se mesmo que são do signo Balança. 

 

Capture.JPG

Uma moira pessoa (eu) está fora, em trabalho. Uma pessoa liga para o esposo, cheia de saudadinhas e mimo para dar - e receber. O estronço esposo não ouve. Nem à primeira, nem à segunda, nem à terceira. Acorda para a vida quando a pessoa está a jantar com colega de trabalho, fala-se sem grandes intimidades nem cutxi cutxi porque colega está presente (e porque bater no Cavaco é a prioridade). Final de conversa:

Pessoa (eu) - "A gente já fala mais, quando chegar ao hotel ligo-te."

Estronço esposo - "Ah, eu a seguir vou ver os zombies, portanto não me incomodes."

(Ainda ponderei alterar-lhe a password do WiFi, mas sou um coração mole...)

Eu e uma pessoa da minha equipa estivemos dois dias fora do escritório, em reuniões com uns parceiros (a resolver merdas que outros criaram e me largaram na mão).

No dia seguinte, de regresso ao escritório: "Olá, olha quem voltou. Então, divertiram-se?"

 

Divertiram-se?! Como assim, divertiram-se? Acaso estivemos em alguma festa ou evento, ou em passeio, ou de férias? Acho muita piada a estes comentários. Tanta, que nem os digno com respostas.

As fashionistas e trend-setters hão-de ficar horrorizadas com as minhas escolhas (e nem precisam de ver as coxas da coxa!), mas eu sou uma miúda low-profile, simples e prática e, basicamente, com o mesmo estilo de roupa desde a minha fase neo-gótica-comuna-punk na adolescência.

E sou gaja. Logo, nunca tenho nada para vestir, por muito que o roupeiro não feche de cheio que está. E ainda sou pobretanas. Ou tenho mais onde gastar o ordenado que em trapos (viagens, estou a piscar-vos o olho!).

Ergo...

A Primark é uma perdição para mim*. Cumpre quase todos os requisitos para me agradar, só falta ter o espaço só para mim, loja online e uma loja física na margem certa (diz que será lá para meados de 2016) para ser perfeita.

Tem de tudo, de todas as gamas ao alcance da minha carteira (desde o tão-barato-quase-descartável até ao deves-ter-a-mania-que-és-a-gama-alta-da-Zara), tem acessórios giros, e calçado, e uns jeans que gosto de vestir. Eram baratos, 10€, e depois ainda baixaram de preço. E eu gosto tanto que compro o mesmo modelo em quase todas as cores, e... - o drama, o horror! - compro vários pares iguais e da mesma cor.


 

 

 

 

 

 

*sem publicidade paga ou "parcerias". Infelizmente. (Já mencionei que não tenho nada para vestir?)