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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

O estagiário (não o "meu", que esse já se foi embora, infelizmente, mas regressou um dia para me trazer os limões que havia prometido na primeira semana de estágio - quase um ano antes) chegou uma semana antes do natal. Foi bem acolhido, claro. Eu fui lembrar The boss de contar com o miúdo para o almoço de empresa e para o cabaz de Natal. Teve, portanto, direito a uma festa de empresa, um outro almoço comemorativo de já não sei o quê (qualquer pretexto serve para a malta se juntar na galhofa e, sobretudo, comer - aquela malta é tipo marabuntas, vocês não estão bem a ver!), e ao cabaz de Natal (bem jeitoso, por acaso). Ao terceiro dia, saiu mais cedo, estava doente. Depois um familiar teve um problema de saúde, não veio. Depois teve problemas no regresso da terra e também não apareceu. Depois esteve doente outra vez. E depois deixou de avisar e continuou a não aparecer.
Depois houve algo entre um reality check e um puxão de orelhas e apareceu numa bela tarde. Depois melhorou, "só" não aparecia se algum dos chefes estava ausente. Ou se tivesse de "estudar", como se lembrou de avisar numa 2ª feira depois das 10. Além de tudo isto, nunca conseguiu chegar a horas, queixava-se da instabilidade dos comboios (só que há comboios de 10 em 10 minutos).
Deve ser do generation gap, mas isto faz-me uma confusão dos diabos. Comentava isto com o marido, e ele conta-me episódios idênticos na empresa dele. O melhor de todos foi o moço que, como lhe estavam a dar pouco trabalho para fazer (algo a ver com a indisponibilidade das chefias para dar orientação), decidiu deixar de ir durante uns dias, sem dar cavaco a ninguém e achando que ninguém daria pela sua ausência. Claro que a sua esperteza foi detectada (as leis de Murphy não falham) e não se deu lá muito bem.
Eu juro que não sou daquelas pessoas que dizem "no meu tempo é que era", mas o meu primeiro instinto é de indignação, por não compreender que noção distorcida da realidade que estes putos têm, se acham que este tipo de comportamentos é aceitável em ambiente laboral. Interrogo-me que noção de responsabilidade lhes foi passada em casa e nas escolas. Depois lembro-me que estamos em Portugal, terra onde reina a impunidade e onde a Chico-espertice dá vantagens inequívocas, e isso, infelizmente, serve de atenuante.

 

Eu viajo algumas vezes a trabalho. Esta semana é uma dessas, e estarei fora a partir de amanhã. Por isso mesmo, hoje tive de trazer comigo uma série de coisas além das habituais (mala, marmita e afins), nomeadamente o computador portátil (a que chamo, carinhosamente, "o trambolho", porque é pesado como o raio), o carregador, o rato, mais umas coisas necessárias ao sítio para onde vou. Ainda não preparei a mala, não me posso esquecer de uma série de coisas que tenho de preparar esta noite, nomeadamente pintar as unhas, que o verniz do chinês é mesmo excelente, mas as minhas unhas crescem tanto que já se vê a parte branca e não posso passar o resto da semana nestes preparos.

Entretanto, o gajo decidiu ir ao futebol, ver o Tondela (Tondeeeeeelaaaaa!) contra não sei quem. E lembrou-se de me pedir para levar a mochila dele para casa. Hoje. Porque já vou pouco carregada. E só apareceu mais tarde do que partiu o transporte que eu devia ter apanhado. Porque eu hoje até nem tenho pressa nenhuma. Grrrrr!

Se isto não é amor, não sei o que será.

Para os cépticos que ainda resistem contra os encantos da Força, o Nuno Markl fez uma óptima resenha na Visão.

 

Nós tentámos "evangelizar" os sobrinhos no último almoço de família, mas sem grande sucesso. Os adolescentes "já ouviram falar", mas a coisa não os aquece nem arrefece. Vai daí que depositámos todas as nossas esperanças no mai' novo, e aqui a tia não resistiu a este mimo para o puto, que vai, espera-se, adorar. Não porque saiba que raio de bonecada é aquela, mas porque a tia tem o condão de escolher sempre umas t-shirts que ele adora. Crianças de bom gosto, vê-se mesmo que são do signo Balança. 

 

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Uma moira pessoa (eu) está fora, em trabalho. Uma pessoa liga para o esposo, cheia de saudadinhas e mimo para dar - e receber. O estronço esposo não ouve. Nem à primeira, nem à segunda, nem à terceira. Acorda para a vida quando a pessoa está a jantar com colega de trabalho, fala-se sem grandes intimidades nem cutxi cutxi porque colega está presente (e porque bater no Cavaco é a prioridade). Final de conversa:

Pessoa (eu) - "A gente já fala mais, quando chegar ao hotel ligo-te."

Estronço esposo - "Ah, eu a seguir vou ver os zombies, portanto não me incomodes."

(Ainda ponderei alterar-lhe a password do WiFi, mas sou um coração mole...)

Não sou uma daquelas pessoas de pessoas. Não gosto de pessoas (generalizando e arredondando), porque sou introvertida e impaciente e impulsiva e outras coisas começadas por i (sim, idiota encabeça a lista de qualidades). Ou seja, nunca quis trabalhar com pessoas (saúde, acção social, tudo o que envolvesse atendimento ao público e lidar com muitas pessoas diferentes diariamente seria tortura, juro), não sou sociável, não é fácil dar-me a conhecer profundamente.

E depois vêm as excepções. As improbabilidades. E os laços nascidos entre gargalhadas e leituras intuitivas. 

 

A colega mais querida, a que me mandou os primeiros beijinhos, por telefone, naquela empresa (e eu nem sabia quem ela era) vai reformar-se. São décadas naquela empresa, com colegas-amigos da mesma geração, com estórias mil, confidências, uma vida! E é a mim que ela dá a notícia com os olhos (duas estrelinhas tão generosas) marejados dos suspiros saudosos em antecipação. Tenho tido sorte com as pessoas que deixo entrar cá dentro, pois tenho.

 

Pois é, eu faço mesmo jus ao nome. Anti-social (desde) sempre.

Não é por não gostar das pessoas, que até, em particular, vou gostando de algumas e, mesmo quando contrariada, conheço pessoas novas acabo por dar o braço a torcer e achar que é muito bom. Mas ir propositadamente ao encontro de pessoas, ainda por cima em grupos, não é mesmo para mim. Bem sei que os introvertidos são uns incompreendidos, mas o resto de vós, por favor, pelo menos tentem colocar-se no nosso lugar. Socializar drena-nos a energia, ao passo que aos extrovertidos recarregam baterias com a energia que retiram destes ambientes. Nós, depois de um encontro social, barulho, risadas (que são coisas que nos exigem esforço, apesar de saírem naturalmente), só queremos fugir para o nosso silêncio e voltar a encontrar a sintonia com o nosso íntimo.

 

Especificamente, conhecer colegas de blogosfera... Pá, não. Obrigadinha, mas não. Primeiro coloca-se a questão da privacidade, que aprendi a não abdicar. (Já lá vai o tempo em que ia descurando aos poucos esta vertente e já meio mundo sabia do blog, já toda uma intrusão do meu mundo escapava para quem devia e para quem não devia.) É bem mais interessante conhecer bloggers que não fazem puto ideia de quem eu sou ou fui. Segundo, e se as pessoas são todas iguais aos seus blogues? Vão desatar tod@s a fazer abdominais e burpees e falar mal dos vestidos e (credo!) mostrar os joanetes ao sunset e comprar fraldas, de gin com pimentas na mão? E eu, ficava ali a um canto a ser invisível e a beber rum? Nah, ide vocês que eu fico aqui a apreciar a minha vista para o Tejo.

Mas quem são estes, de onde apareceram? - pergunta o séquito de fãs mesmo antes desta coisa ter o arranque oficial. Somos seres humanos, anti-sociais, com a mania que somos mais espertos e engraçados que os outros. Somos ateus, classe média a atirar para o chunga, com mau feitio, críticos até dizer chega. Já andamos nesta vidinha há uns bons anos, mas agora apeteceu-nos aparvalhar a dois (vivemos em concubinato e, na verdade, o homem queria criar um canal no YouTube para dar tempo de antena às nossas alarvidades, mas eu sou do contra - e a minha cena é, sempre foi, escrever, até tenho a mania que um dia vou escrever um romance.) Vamos dizer mal do (des)governo, do Cavaco, não vamos usar (jamais!) as regras do aborto ortográfico e o resto logo se vê.