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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

O cineasta português falecido em Abril, com 106 anos, deixou uma obra extensa e aplaudida a nível mundial (sobretudo por quem nunca aguentou um filme dele até ao fim). Convenhamos, goste-se ou não, a sua assinatura de marca passa pela pouca, poucochinha, vagarosa acção e cenas longas, muito longas e paradas. Tal e qual as filas na caixa do Pingo Doce. Sobretudo as que têm como protagonistas personagens da altura do Aniki Bobó.

Explico: acabei de assistir a uma cena digna de um filme de Manoel de Oliveira ao vivo e a cores, e uma cujo argumento vejo vezes sem conta, mudam só os personagens e os detalhes do cenário. Velhinhas com a maior calma do mundo, a contar todas as moedas que têm na carteira antes de entregar algumas para pagar as suas compras, que já foram registadas e aguardam lânguidamente no pequeno balcão da caixa do supermercado. Estas velhinhas frequentemente arrastam carrinhos e troleys de compras, só começam a arrumar os artigos quando já o cliente seguinte está a pagar. Curiosamente, estas velhinhas gostam de frequentar os super e hipermercados na hora de maior afluência. Se querem testemunhar com os vossos olhos estes fragmentos cinematográficos em jeito de ode ao Manoel de Oliveira, recomendo particularmente o Pingo Doce do Cais do Sodré, que é provavelmente o mais estreito e confuso de todas as lojas Pingo Doce (para quem não conhece, é uma experiência sociológica imperdível), sobretudo a partir das 19:00.