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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Além da tendência inata para a invisibilidade, devo ter uma cara que se enquadra em todos os sítios e em sítio nenhum. Vejamos: quando estou no estrangeiro os locais (ou turistas nacionais) pedem-me indicações de mil e uma coisas, não obstante muitas vezes nem sequer me dar ao trabalho de não parecer uma turista (isto significa andar com a máquina fotográfica ao pescoço, e por vezes com um guia ou mapa do sítio que estou a visitar na mão). Em Portugal também, mas isso é bastante mais natural do que tentarem vender-me passeios no Douro em castelhano ou darem-me menus em inglês - o que também vai acontecendo amiúde.
Não sou pessoa de falsas modéstias, eu sei que tenho um jeito nato para línguas e sotaques, que apanho muito fácil e instintivamente entoações e toda a linguagem não verbal. Isso facilita a comunicação em qualquer sítio do mundo e, se quisesse, podia enganar alguns (lembro-me do colega checo que ao fim de 10 minutos de conversa em inglês me perguntou quantos anos eu tinha vivido nos States - nunca lá pus os pés).
O que me aflige é eu constatar, dado o à-vontade com que me pedem indicações e informações mas mais distintas línguas, que: em Marrocos, que devo ter cara de marroquina; em Itália, que devo ter ar de italiana (e além dos italianos, serem portugueses a perguntar e eu arriscar, pelos trejeitos e sotaque, ou só mesmo porque sou muito boa a ler as pessoas, a responder em português); na Rússia, que devo ter cara de russa; na Malásia, que devo ter cara de malaia; na Polónia, que devo ter cara de polaca; no meu terceiro dia em Barcelona houve uma senhora que me disse que o meu catalão era quase perfeito e perguntou há quanto tempo estava ali a trabalhar, depois de lhe dar dicas sobre os supermercados e mercado da zona. Enfim, estas histórias repetem-se por aí fora. Não me lembro dum país em que tenha estado mais de um dia (e já lá vão umas dezenas) em que não tenha vindo alguém pedir-me indicações na língua nativa. Os episódios mais cómicos devem ter sido e o da Rússia (acabadinha de desbravar o suficiente do alfabeto cirílico para conseguir ler os nomes das estações de metro e vem uma russa perdida perguntar muitas coisas que não faço ideia; mas lá apontei para uma das senhoras que estão nas casinhas de vigilantes ao fim das escadas rolantes como uma melhor alternativa informativa) e o polaco: mesmo não falando mais de meia dúzia de palavras de polaco, isso nem impediu uma velhinha de me fazer um autêntico questionário e mantemos uma espécie de conversa, nem de eu dar uma decompostura a uma feira armada em chica-esperta que achou que podia passar à frente de toda a gente num consultório.

 

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