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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Queria comentar mais amiúde os resultados eleitorais, mas de cada vez que escrevo uma frase depois de "grande resultado do Bloco e da Esquerda", fico com náuseas. Portanto, falarei só da abstenção.

A abstenção é a maior inimiga da democracia. Os valores são absurdos. São trágicos. Cerca de 43,1% dos eleitores abdicam do seu maior poder quanto a determinar o rumo do país.

9.375.466 eleitores portugueses inscritos (dos quais votaram 5.333.888). Não votaram 4.041.578 eleitores, sensivelmente o dobro do que o número de votos na coligação PàF, a opção mais votada!

Algo me diz que este valor está longe do real; não retirando importância à enormidade do valor da abstenção, era mesmo capaz de apostar que há qualquer coisa como um milhão de mortos nas listas, pelo menos. E limpar os cadernos eleitorais, hein?

 

Ao longo do dia, muitas pessoas nas redes sociais partilhavam que nunca haviam visto as mesas de voto com filas tão grandes. Eu não notei grande diferença, na Freguesia onde voto (e votei na maior parte dos meus anos de eleitora) há sempre fila. Não me lembro de em alguma eleição não ter de esperar. Verdade que não estive presente em todas, porque houve o ano em que o Cavaco marcou as eleições autárquicas para as minhas férias (que eu tive de marcar antes de haver data para as eleições e tive em atenção a data que se dizia ser a mais provável para ir a votos). Na altura, o cidadão comum não podia votar se estivesse ausente ou distante da freguesia em que está recenseado. Só se fosse atleta ausente em representação da Selecção Nacional, militar, hospitalizado ou presidiário, era possível aceder ao voto antecipado. Se estivesse acamado de forma súbita ou imprevisível, se estivesse fora em trabalho, ou lazer, não interessa, perdia o direito a votar. A lei eleitoral parece que já mexeu qualquer coisa e já não é bem assim. Afinal, apesar de tanto foguete lençado porque aparentemente a abstenção teria diminuído muito discretamente, não diminuiu coisa nenhuma.

Quanto aos emigrantes, não é fácil votarem, devido a uma carga burocrática irrealista. Recordo-me de umas amigas que viviam numa grande cidade alemã enquanto faziam o doutoramento e era mais fácil voarem para Portugal na altura das eleições do que conseguirem votar na Alemanha (e ainda assim teriam de deslocar-se a Berlim).

Estas coisas fazem-me comichão no neurónio. Em pleno século XXI, na Era da Comunicação, que sentido faz que o voto ainda se processe com cadernos eleitorais de papel e com estas limitações geográficas? Não seria bastante fácil permitir o voto em qualquer secção, com controle electrónico? Recordo-me de, há uns anos, terem sido testadas umas cabines de voto electrónicas. O que aconteceu a esse projecto?... Se se quer realmente combater a abstenção (duvido, dizem os estudos que quando desce a abstenção, ganha a esquerda), esse seria um belo começo.

A seguir, o próximo governo, se for minimamente sério, deveria dedicar-se a combater o problema na sua origem e a atacá-lo de frente. Se fosse eu a mandar podiam ter a certeza que o voto seria obrigatório. Mas também tornado bastante mais acessível e facilitado.

 

Ficam algumas dicas. Vão-se lá entreter agora a contar deputados e a esperar pelas contagens da emigração. Eu ficarei a sonhar com um acordo sério entre os partidos de esquerda para umas próximas eleições menos más.

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