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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

Mesmo, mesmo a sério!

 

Nem sempre foi assim. Digamos que passei de um extremo ao outro. Quando era miúda adorava, ia aos jogos da minha equipa local (que entretanto já nem tem futebol sénior e anda a "vender"* todo o património ao pior clube do mundo), via os treinos, via jogos de iniciados, torcia pelas equipas. Como uma pessoa muito próxima tinha uma grande ligação ao mundo do futebol, fui sendo envolvida mais e mais. Acontece que cheguei ao ponto de estar tão envolvida que comecei a abrir os olhos e a ver que o futebol deixou de ser só o jogo, a parte de que eu realmente gostava, para ser quase tudo menos o jogo. É o teatro, é a política, é a enorme mentira, é o dinheiro, a corrupção, a arbitragem, é a gestão, é a traição. E disso eu não gosto. Na verdade, abomino. E foi assim que cortei relações com o futebol. Não sei o nome dos jogadores, nem dos presidentes, não vejo jogos, já não me serve de entretenimento. Para piorar, vivo mesmo bastante perto do centro de estágios (a que eu chamo, carinhosamente, de lixeira) da equipa que menos gosto (nem tenho nada contra o clube, são mesmo os adeptos que me enojam). Cá a terreola sempre foi vermelha, contava com alguns ex-jogadores (os mais bêbados e porcos habitantes, I kid you not!) e generalizada falta de bom gosto visão. E foram em particular estes adeptos, sujos, garganeiros e mal-educados, que cospem para o chão e gostam pouco de banho, que têm o cabelo e os bigodes sebosos, que arrotam alarvemente e coçam os tomates em público, que me tornaram anti-benfiquista. Se tivesse passado a infância e adolescência no centro do Porto seria provavelmente anti-Portista, porque não são as cores ou os clubes que me enervam, é a ignorância e a falta de respeito pelos outros.

Não há vermelhices na minha família, a maior parte é (doente) dos verdes e eu sou azul e branca. Por azar, ou para provar que ninguém é perfeito, o homem é um desses lampiões, dos piores. Foi ver o jogo de hoje, claro, para o seu lugar cativo. Pediu-me calmantes, e eu devia ter-lhe dado laxantes, mas até gosto do miúdo. Mas odeio todo o banzé que os hooligans fazem à minha porta, a excursão de parolice atrás do autocarro vermelho quando saiu daqui para o estádio (até uma vaca ia na caravana), toda e cada uma das vuvuzelas que me acordaram duma sesta que podia ter sido perfeita.

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Tendo em conta os uivos histéricos e buzinões que oiço na rua, incessantemente, parece que ganharam alguma coisa. Foi encontrada a cura para o cancro? A solução energética limpa e potente? Não, foi um campeonato (já não se chama campeonato, não é? I don't care!). Sairiam estas alminhas à rua para defender os seus direitos, para contestar contra a corrupção ou desastrosos desgovernos? Já vimos nos últimos anos que não. Nem uma ínfima parte destas pessoas, nem com uma ínfima parte do fervor com que apitam as suas tristes buzinas. E isto só me faz abominar ainda mais o "futebol", que é tudo menos o futebol. Não os 90 minutos do jogo, mas esta triste euforia que preenche as vidas vazias de coisas melhores de tanta gente, esta alienação em relação a tudo o resto. A grossa maioria destas pessoas não lê jornais que não os desportivos, não vê debates que não os que versam sobre este mundinho lateral, não gritam por mais nada, não vibram por mais nada. Não têm três tostões furados para ir ao dentista, mas a coisa tv não pode faltar lá em casa, nem as quotas podem ficar por pagar, para sempre, dizem eles enquanto gastam meio depósito do combustível que reclamam que está tão caro para dar voltas às ruas de bandeiras em punho.

Agora ouvi um tiro ou foguete, não sei. O homem não diz nada, desconheço se vive ou não, mas espero que pelo menos não me faça passar vergonhas. Vou aproveitar para ver mais uns filmes e marcar na lista negra os vizinhos que fazem chinfrim.

 

*"Vender" pavilhões desportivos e estádios por um euro pode dizer-se que é dar, não? 

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