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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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Na empresa multinacional em que trabalho já há algum tempo, há aumentos salariais todos os anos, ou tem havido. A bem da justiça, creio que hoje em dia é rara a empresa que o faz. Contudo, não se pense que os aumentos são significativos, longe disso. Muitas vezes o aumento não é suficiente sequer para acompanhar a inflação. Mas o grande busílis é que os aumentos não são iguais para todos os trabalhadores, nem dentro de cada categoria profissional, nem coisa nenhuma. Aliás, uma das lutas antigas dentro da empresa é pela equidade salarial, já que as diferenças de salário entre trabalhadores da mesma categoria profissional podem ser abissais, com diferenças de mais de 300%. A direcção da empresa usa este facto para aproveitar a distribuição de aumentos para alegar que esta distribuição serve como ferramenta para diminuir as diferenças. Ora, como é fácil de ver, com aumentos que têm andado, em média, em volta do 1%, tentar ajustar diferenças salariais que por vezes chegam a mais de mil euros mensais, a este ritmo, daqui por 2 séculos ainda estaríamos sensivelmente no mesmo sitio. Depois, há mais uma agravante, que é o facto da direcção alegar (contudo, sem conseguir provar) que os aumentos salariais estão relacionados com a avaliação de desempenho. Ou seja, dizem também que os aumentos não são iguais para todos porque uns são melhores que outros, argumento que simplesmente cai por terra quando trabalhadores que têm uma avaliação de desempenho muito acima da média, e mesmo acima dos 100%, têm aumentos salariais abaixo da média. Este exemplo é o meu próprio, pelo que sei do que falo. A comunicação dos aumentos salariais anuais costumava ser feita à porta fechada e individualmente, pelo que cada um sabia exactamente qual o montante do aumento e ainda tinha alguma hipótese de, não mudar a decisão, que é apresentada como facto consumado e incontornável, mas pelo menos manifestar a sua opinião, colocar questões, etc. Este ano porém, a comunicação foi feita de forma ainda mais caricata e, na minha opinião, desrespeitosa. No departamento em que exerço funções actualmente, há várias equipas organizadas em Ilhas de 2-4 pessoas cada, num open space, e o director tem um gabinete dentro da mesma sala. Uma das equipas é composta por 8 pessoas, distribuídas por duas ilhas intercaladas com outra. O chefe dessa equipa comunicou os aumentos aproximando-se de cada uma das ilhas e dizendo que os aumentos rondavam o 1%, um pouco mais para uns, um pouco menos para outros. O aumento do subsídio de alimentação foi de 13 cêntimos. Vocês já sabem como estas coisas são. Assim. Em grupo e voz alta, mas sem esclarecer nada. A comunicação à minha equipa conseguiu ser feita de forma ainda mais caricata. A chefia, poucos minutos depois desta cena, chegou-se mais perto de nós e disse isto, ipsis verbis: "Bem, ouviram o que o sr. X disse, não foi? Pronto, aplica-se. Portanto, aquela compra que andavam a adiar à espera do aumento... Ainda não vai ser agora" (entre risos típicos de quem não faz a menor ideia do que é ser chefe e da sensibilidade do tema). Não chegando o descabimento destas comunicações, aparentemente até tivemos sorte, pois colegas há na mesma sala que nem tiveram direito a comunicação alguma. Para acrescentar dois pequenos pormenores à narrativa, cumpre explicar que: Tudo isto se passou vários dias após termos recebido o salário, já com o devido aumento (para quem o teve); Os recibos de ordenado são entregues em mão, todos os meses (a versão digital demora cerca de um mês e meio, que está ainda é uma daquelas empresas dependentes do papel), normalmente logo a seguir a recebemos, mas este mês os recibos chegaram num dia à chefia, mas às nossas mãos ainda tardaram 5 dias...