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AntiBlogue

Blogue dum casal real, anti-fashion, anti-fit e anti-top. Detestamos correr, praia no Verão e berros de crianças. Gostamos de viajar, comer, música, livros, vegetar em frente à TV, saldos, limões e sobretudo um do outro.

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"As pessoas já olham mais para as pessoas do que apenas para o partido de que gostam. Analisam o candidato e não a máquina partidária que está nos bastidores."

Como não olhar para os partidos de onde vêm, onde estão, que os apoia (assumida ou discretamente), para observar antes a pessoa?!

Ao contrário do que parece a muito boa gente, não é (só) em pessoas que votamos, nem para as presidenciais e muito menos para legislativas e autárquicas.

Primeiro, não conhecemos, regra geral, as pessoas por detrás dos candidatos. Não sabemos em primeira mão dos seus afectos, dos seus humores, se preferem tinto ou branco, ou se têm mau hálito. Nem sabemos, nem temos nada que saber, nem isso importa minimamente para o caso.

Em segundo lugar, gostar ou simpatizar com uma figura pública, com a "persona", sem tomar em conta as ideias políticas e ideológicas, não garante qualquer tipo de confiança no desempenho de funções com competência e honestidade, muito menos é bom presságio de que se venha a concordar com as posições que o candidato venha a tomar, futuramente.

Por mero acaso, eu até conheço uma pessoa que é candidata à presidência. Não conheço intimamente, mas é uma pessoa que estimo, de quem tenho a melhor das impressões, que é, tanto quanto fui apurando ao longo do tempo, uma pessoa honestíssima e exemplar a muitos níveis, sobretudo o humano. Ideologicamente, até nos situamos a pouca distância, embora não tenhamos posições idênticas. Mas não é nesta pessoa que vou votar, e isso nem sequer me cruzou o pensamento. Porquê? Porque há candidatos que me representam melhor e que eu considero mais aptos para a função.

Se os apoios ou aproximações partidárias contam para esta decisão? Obviamente!
Não tem qualquer fundamento ajudar para eleger uma pessoa cujo papel é o mais importante na democracia se não nos revemos no seu discurso, ou se criticamos as suas decisões ou ausência delas. Quero na presidência um candidato em quem confie para defender os ideais que, na minha óptica, são os mais correctos, os mais justos. Quero na presidência alguém que zele pelo bom funcionamento da democracia no meu país, que faça respeitar a Constituição, que chame à responsabilidade os governos, os protagonistas da economia e da sociedade civil. Não posso ignorar o seu percurso político, aquilo que fez e disse, aquilo em que acredita.

Uma destas manhãs dizia uma colega (daquelas pessoas que gostam muito de dizer coisas, muitas vezes contraditórias de semana para semana) que não importam os partidos, acha é que devem ser pessoas novas, com ideias novas, a assumir o cargo. Portanto, levando esta opinião a um extremo, esta pessoa acha que deve votar na pessoa mais jovem ou mais *novidade*, independentemente das suas ideias serem uma valente bosta. Se isto faz, genuinamente, sentido a alguma alma, a questão que se impõe é: onde é que estacionaste a nave espacial?

Sob a velha (e ignorante) perspectiva do "ah, os políticos são todos iguais, mais vale votar neste que a gente já conhece / é do meu clube / já vi este senhor na televisão", a coisa consegue piorar. É escolher, deliberadamente, uma porcaria, sabendo que é uma porcaria, cujo cheiro já é familiar. Foi assim que ficámos dez - atenção, DEZ! - anos com o pior múmia... presidente de que há memória, nesta pequena e mal afortunada República.